
Da humanidade: Filosofia e Religião.
Nascido em Paris, em 1951, Luc Ferry é filósofo e um dos principais defensores do humanismo secular — visão de mundo que se contrapõe à religião, por conta de seu compromisso com o uso da razão crítica, em vez da fé, na busca de respostas para as questões humanas mais importantes. Luc Ferry foi ministro da Educação na França de 2002 a 2004. Com o livro Aprender a Viver, ganhou o prêmio Aujourd’hui em 2006, um dos mais conceituados prêmios de não ficção contemporânea da França.
O livro Aprender a Viver – Filosofia para os novos tempos já ultrapassou mais de 250 mil (250.000) exemplares vendidos só na França. Apesar de ser uma iniciação à filosofia, o livro não abre mão da riqueza e da profundidade das ideias filosóficas, oferecendo muito mais do que uma leitura superficial de textos fundamentais para o entendimento do mundo. Aprender a Viver é voltado para dois públicos: adultos que querem entender a filosofia, mas não necessariamente pretendem se tornar especialistas no assunto, e jovens que desejam estudá-la mais a fundo e procuram uma base de conhecimento. É um livro forte e para quem tem, de fato, uma fé e religiosidade solidificadas!
Eis um dos grandes dilemas? Filosofia e Religião.
A primeira leva à percepção do mundo por meio da contemplação de sua beleza e, na perspectiva de Luc Ferry, ao encarar e aceitar a realidade da vida e da morte; a filosofia não vende ilusões como as religiões. E diz mais: o que mantém as pessoas nas religiões é a forma como os religiosos afirmam que existe uma vida após a morte. Portanto, o medo e a constante confluência conflituosa entre o viver e o redimir-se fazem com que as pessoas recorram a Deus no intuito de também conseguir uma vida após a morte.
A crença da filosofia está na contemplação da vida e da morte como elas são. O mundo é ordenado, perfeito e belo por si só, sem necessidade de percepção externa. A religião e a religiosidade costumam trabalhar com o pecado e, consequentemente, incutir medo nas pessoas. E como os indivíduos se acalmam nas religiões? Com a “certeza” de que existe algo externo que os protegerá de tudo e de todos que possam tirar sua paz. E quem é capaz de tirar as seguranças humanas? O diabo. Esse ser é “vendido e exposto” como o senhor de tudo aquilo que afasta de Deus!
Eis um dos grandes dilemas? Religião e Filosofia.
O saborear de conteúdos e o navegar pela história são experiências muito prazerosas e enriquecedoras, mas, em um mundo inculto e repleto de futilidades, a percepção da construção universal é factível apenas àquele que se dedica a uma busca muito mais aprofundada. Eis o motivo de a sabedoria filosófica ser construtora de valores éticos e humanitários, independentemente de religião ou religiosidade.
Em suma, em outras palavras, a percepção é de que as religiões são meros “controles sociais” diante de fatos e acontecimentos e, por meio do medo, fazem com que cada vez mais pessoas as procurem. O medo da morte, o medo da insegurança, o medo de perder entes queridos, entre outros, fazem com que os homens percam o próprio controle da existência e recorram ao caminho mais fácil e mais difundido: o da religiosidade!
Eis um dos grandes dilemas? Filosofia e Religião.
Durante uma viagem de férias, amigos propuseram que Luc Ferry improvisasse um curso de filosofia para pais e filhos. Sem a possibilidade de recorrer a uma bibliografia, o filósofo viu-se obrigado a ir diretamente ao essencial, sem palavras complicadas, citações eruditas ou teorias desconhecidas dos ouvintes. No decorrer das aulas, Ferry percebeu que não existia nas livrarias nada equivalente ao curso que estava elaborando. O livro Aprender a Viver é o resultado daquelas reuniões agradáveis.
Embora reescrito e ampliado, o livro ainda conserva o estilo direto. É um trabalho ao mesmo tempo modesto e ambicioso. Modesto porque se dirige a um público não especialista, como os amigos daquele período de férias. E ambicioso porque Ferry se recusou a distorcer ou deturpar, de qualquer forma, os grandes pensamentos apresentados. A pergunta que fica para um excelente Cristão, que lê de tudo um pouco, é: seria por esses motivos que a Europa atualmente se tornou o que é hoje? Um continente irrelevante e sem nenhum poder de reação internacional?
Eis um dos grandes dilemas? Filosofia ou Religião?
Qual a representatividade europeia nos dias atuais em termos políticos relevantes? A Paris de hoje já não é a de outrora e parece muito mais um “país islâmico”? O que ainda leva dinheiro à Europa não são as belas catedrais e tudo o que foi construído pelo cristianismo? A filosofia é valorosa e muito importante, mas o degredo e a desvalorização das religiões chegam a atormentar um excelente leitor e a levá-lo a indagar no que consistiria — e consistirá — a não percepção divina sob a ótica da proteção e da segurança. O extremo nunca fez bem. O equilíbrio é vida sensata!
Sem livros, dificilmente se aprende a gostar de ler — Ruth Rocha.
Um livro nos faz viajar sem sair do lugar. Ele nos transporta para mundos mágicos e nos permite viver inúmeras vidas em uma só. Um objeto tão especial merece um dia só dele; por isso, no dia 23/4, celebra-se o Dia Mundial do Livro — Equipe Editorial do Pensador.
Um país se faz com homens e livros — Monteiro Lobato.
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