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“Tinker Bell” e “Duquesa”: irmãs do PCC presas em Altos expõem avanço silencioso da célula feminina da facção no PI

Jovens de 18 e 19 anos atuavam no apoio logístico ao tráfico e demonstraram frieza e sensação de impunidade durante operação do DRACO no interior do Piauí

06/01/2026 às 12h06
Por: Douglas Ferreira
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“Tinker Bell” e “Duquesa” e o delegado Charles Pessoa no ato das prisões - Foto: Reprodução
“Tinker Bell” e “Duquesa” e o delegado Charles Pessoa no ato das prisões - Foto: Reprodução

A prisão das jovens conhecidas pelos vulgos “Tinker Bell” e “Duquesa” expõe, mais uma vez, a estratégia de expansão territorial e operacional do Primeiro Comando da Capital no interior do Piauí, agora com a atuação explícita de núcleos femininos. As duas irmãs, de 18 e 19 anos, foram presas nesta terça-feira (6) durante operação do DRACO no município de Altos, sob suspeita de tráfico de drogas, associação criminosa e apoio logístico à facção.

Quem são e qual o papel no PCC

Segundo as investigações, as jovens são naturais da região deo bairro São Pedro, em Teresina, e se mudaram para Altos após se aproximarem de integrantes do PCC que atuam na cidade. Elas não são apontadas, até o momento, como executoras diretas de homicídios, nem integrantes de núcleos de “disciplina”, “justiçamento” ou assassinatos, funções mais duras dentro da hierarquia da facção. A atuação atribuída às duas está concentrada no apoio logístico ao tráfico, como guarda, transporte, repasse de informações, suporte a companheiros presos ou monitorados e auxílio à estrutura cotidiana da célula criminosa.

Uma delas, identificada como “Tinker Bell”, possui inclusive tatuagem associada à facção, elemento frequentemente utilizado pelo PCC como marcador de pertencimento simbólico e compromisso com a organização. Ambas, segundo a polícia, integravam a mesma célula feminina, um modelo que tem se repetido em diferentes Estados para dar sustentação ao braço operacional masculino da facção.

O que dizem as investigadas

Durante a prisão, o comportamento das duas chamou atenção dos agentes. De acordo com o delegado Charles Pessoa, elas demonstraram frieza e tranquilidade incomuns para a idade. Uma das irmãs afirmou acreditar que deixará a prisão em pouco tempo e que pretende continuar atuando na facção, declaração interpretada pela polícia como reflexo de uma sensação de impunidade e da fragilidade do sistema penal diante do crime organizado.

Até agora, não há confirmação de colaboração premiada, delação ou entrega de outros integrantes por parte das jovens. No entanto, dados, materiais e informações apreendidos durante a operação estão em análise e devem subsidiar novas fases da investigação, com possibilidade concreta de outras prisões.

O contexto mais amplo

A polícia também confirmou que o companheiro de uma das investigadas é apontado como indivíduo violento, envolvido com tráfico, porte de arma, roubos e investigação por homicídio na região, o que reforça o ambiente de criminalidade no qual as irmãs estavam inseridas. Para o DRACO, o caso ilustra como o PCC utiliza vínculos afetivos, familiares e relacionais para consolidar sua presença em cidades estratégicas do interior.

Em síntese, “Tinker Bell” e “Duquesa” não surgem como protagonistas armadas da violência extrema, mas como peças funcionais de uma engrenagem criminosa maior, que depende cada vez mais de estruturas femininas para sobreviver, se expandir e driblar a repressão estatal. A investigação segue em curso, e a polícia aposta que o aprofundamento da análise do material apreendido levará a novos desdobramentos e prisões.

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