Monge é “aquele que está separado de todos e unido a todos”, segundo a noção que nos é dada pelo mestre do ascetismo Evágrio Pôntico.
“É assim chamado porque conversa com Deus noite e dia e não imagina senão as coisas de Deus, sem nada possuir na terra”. “É chamado monge porque, em primeiro lugar, é sozinho, é solitário, abstendo-se do casamento e renunciando ao mundo, interior e exteriormente; em segundo lugar, porque se dirige a Deus na oração incessante, para que Deus purifique o seu intelecto e, enquanto tal, se torne monge e solitário em presença do Deus verdadeiro, sem admitir pensamentos do mal” (São Macário, o Egípcio).
Ou, como dizia Santo Hesíquios, “o verdadeiro monge é aquele que atinge a sobriedade. E o monge verdadeiramente sóbrio é aquele que é monge no seu coração”. De acordo com os grandes e santos Padres da Igreja, o monge é, afinal, aquele que quer ser salvo, levando uma vida de acordo com o Evangelho, procurando somente o único e necessário; fazendo o BEM a TUDO e a TODOS.
Podemos dizer que, de certo modo, foram os monges que ensinaram a comunidade cristã a rezar. Efetivamente, foram eles que desenvolveram uma prática litúrgica progressivamente adotada pela Igreja no seu conjunto e que se manteve até hoje.
Foram também os monges que criaram uma tradição de oração pessoal e de contemplação incessante. Isto é, foram os monges que nos ensinaram a conceber a oração como um meio de alcançar o fim da vida cristã: a participação em Deus, a deificação, comungando, pelo Espírito Santo, com a humanidade deificada de Cristo.