Que feira? Os Puritanos criaram o domingo cristão inglês — ou seja, o conceito e a observância do primeiro dia da semana como dia de trégua tanto nos negócios quanto nas recreações organizadas, para que o tempo todo fosse deixado livre para a adoração, o companheirismo e as “boas obras”. Esse ideal nunca foi aceito de modo geral pelos protestantes do continente europeu, conforme Baxter observou: “A Inglaterra tem sido uma felizarda quanto a esse aspecto da reforma”. A história dessa realização puritana prolonga-se por um século. Nos fins do século XVI, era costume dos ingleses, depois de terminado o culto na igreja, passar o resto do domingo “frequentando peças teatrais obscenas… jogos, bebidas alcoólicas, festas e comemorações; ou então fumando cachimbo, dançando, jogando dados, jogando baralho, boliche, tênis, açulando cães contra ursos acorrentados, brigas de galo, falcoaria, caçadas e coisas semelhantes; ou então frequentando feiras e mercados… ou indo a partidas de futebol e outros passatempos diabólicos”. Os crentes sérios (os “Puritanos”, no sentido popular) ficaram cada vez mais preocupados com isso. O ponto de vista “puritano” sobre o assunto, que Dennison mostrou já ter sido firmado, em essência, pelos bispos Hooper e Latimer e pelo deão Edmund Bunnye Gervase Babington, recebeu sua primeira declaração formal, impressa, no livro do Dr. Nicholas Bound, True Doctrine of the Sabbath (A Verdadeira Doutrina a Respeito do Dia do Senhor – 1595) — embora a primeira exposição sobre a mesma doutrina a ser escrita pareça ter sido a obra de Richard Greenham, Treatise of the Sabbath (Tratado a respeito do Dia do Senhor), que circulou “in secreto” por alguns anos.
A ida e a vinda da feira? Esse introito é de autoria de Os Puritanos e o Dia do Senhor – J.I. Packer. O título deste artigo é no sentido de que os puritanos ingleses começaram a versar sobre um tipo de feira não comercial, mas de cunho espiritual e, por esse sentido, ainda hoje são conhecidos pela expressão – “Domingo é o dia da feira espiritual cristã” – e isso sempre no bom sentido; isto é, que todos os dias são dias do Senhor, mas o domingo tem sua particularidade por ser um verdadeiro “banquete espiritual”. Mas e no mundo contemporâneo, como é a ida ao templo do Senhor? Para o católico, começa com a dificuldade de encontrar missas semanalmente e, no domingo, pode acontecer qualquer tipo de coisa que o impeça de chegar à igreja. Para os protestantes, não deve ser diferente; aparece toda e qualquer coisa que possa impedir o fiel de comparecer à igreja. É impressionante esse tipo de coisa, porque isso reafirma que as igrejas (muitas delas) são realmente lugares dedicados ao Senhor, ao criador de todas as coisas, e que, em essência, nestes locais somente se encontrará algo bom e do bem. E quem normalmente quer impedir que isso aconteça? Aquele que veio para somente “roubar e destruir tudo”!
A ida e vinda da feira? Que feira? Feira espiritual, entenda e compreenda, e não tem nada de pejorativo nisso. Feira, neste sentido aqui, não é de nenhuma maneira associada a negócios ou mercantilização. Em suma, para ser cristão de verdade e realmente marcar presença em uma igreja, muitos cristãos passam verdadeiros perrengues. O problema não é uma ou duas vezes, o maior empecilho é permanecer realmente fiel. E como vencer tudo isso? Acreditar que Jesus Cristo, Deus, é maior do que tudo e do que todos, e que a perseverança é coisa de cristão. A unidade, a convivência, o temor a Deus não são algo particularizado, mas sim coletivo, e é na presença ao templo de Deus que a alma é verdadeiramente alimentada e de forma adequada. Força, coragem e fé. O tempo está bom e parece que até vai chover? Lute também contra “os seus prazeres internos e externos” e se dirija ao templo do Senhor. Está na Casa do Senhor; não tem nada melhor e igual!