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Operação Sem Desconto: quando o cerco avança até o coração da Previdência

Operação Sem Desconto avança sobre o INSS e o entorno do poder, mas deixa dúvidas no ar

18/12/2025 às 10h31 Atualizada em 18/12/2025 às 21h09
Por: Douglas Ferreira
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Weverton Rocha, Romeu Carvalho Antunes e Adroal Portal - Foto: Reprodução
Weverton Rocha, Romeu Carvalho Antunes e Adroal Portal - Foto: Reprodução

A Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União, deixou definitivamente de ser uma investigação periférica. O que se vê agora é um movimento direto contra o núcleo político e administrativo do sistema previdenciário, com ramificações que alcançam o Congresso Nacional e figuras próximas ao Palácio do Planalto.

Não se trata mais de atravessadores de segunda linha ou operadores obscuros. O alvo agora tem nome, cargo e poder.

Adroaldo Portal: o número 2 da Previdência no centro do escândalo

O personagem central desta nova fase é Adroaldo da Cunha Portal, secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, na prática o número 2 da pasta. Ele foi alvo direto da Operação Sem Desconto, afastado do cargo por decisão judicial e submetido a prisão domiciliar com medidas cautelares, no bojo de uma investigação que apura:

  • Inserção de dados falsos em sistemas oficiais

  • Estelionato previdenciário

  • Organização criminosa

  • Ocultação e dilapidação patrimonial

Portal não é um técnico irrelevante. Ele ocupava posição estratégica, com acesso direto às engrenagens administrativas que controlam milhões de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social. Sua queda rompe a blindagem institucional que sempre protegeu o alto escalão da Previdência.

Weverton Rocha: o braço político sob suspeita

No campo político, o cerco também se fecha sobre o senador Weverton Rocha, vice-líder do governo no Senado. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão, autorizado pelo Supremo, dentro da mesma operação.

As investigações apontam ligações diretas e reiteradas entre o senador e Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado Careca do INSS, operador central do esquema que drenou bilhões de reais de aposentados e pensionistas. Encontros no Senado, reuniões em residência oficial e até o uso compartilhado de aeronave privada derrubam qualquer narrativa de contato ocasional ou republicano.

Aqui, a pergunta deixa de ser “se há vínculo” e passa a ser: qual foi o papel político desempenhado para sustentar o esquema?

O núcleo familiar do esquema: o crime que se herda

A Operação Sem Desconto avançou ainda mais ao atingir Romeu Carvalho Antunes, filho do Careca do INSS, também preso hoje pela Polícia Federal, sendo alvo das medidas judiciais da operação. Ele é apontado pelos investigadores como parte da engrenagem financeira e operacional do esquema criminoso que desviou recursos de aposentadorias e pensões.

Além dele, também foi preso Eric Fidelis, filho de ex-diretor do próprio INSS. O padrão é claro e perturbador: o esquema não era episódico, era estruturado, familiar e institucionalizado.

Isso desmonta a tese de fraude isolada. O que se revela é uma engrenagem criminosa com raízes no Estado, protegida por relações políticas, técnicas e familiares.

A pergunta que não quer calar: a PF age com liberdade total?

Diante da escalada dos alvos, surge a dúvida inevitável:
a Polícia Federal está avançando livremente ou há um controle de danos em curso?

A operação atinge um senador governista, o número 2 da Previdência e o núcleo do operador financeiro do esquema, incluindo agora o próprio filho do Careca do INSS. Ao mesmo tempo, nomes ainda mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguem fora do radar público.

É combate estrutural à corrupção ou gestão política do escândalo para conter danos maiores?

O significado político do avanço

Uma coisa é inegável:
a Operação Sem Desconto rompeu a narrativa de que o escândalo do INSS era apenas técnico ou administrativo. Agora, ela expõe conexões políticas, proteção institucional e acesso privilegiado ao poder.

Quando o número 2 da Previdência cai, quando um vice-líder do governo entra na mira e quando o esquema alcança o próprio núcleo familiar do operador central, não é mais um problema de gestão. É um problema de governo, de credibilidade e de responsabilidade política.

E a pergunta final permanece aberta, incômoda e inevitável:
quem mais ainda está protegido pela sombra do poder — e por quanto tempo?

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