
Você já ouviu esta expressão? Ela é muito corriqueira no mundo de todos aqueles que conhecem os bastidores dos poderes e, de forma especial, o poder político. É aquele tipo de gente que governos cessam, mas eles não passam; estão sempre lá, participando ativamente — ou melhor, inativamente — do círculo de poder emergente. O que se pode pensar dessas pessoas? Existe algum grau de lealdade? O que mais importa é viver bem, independentemente de quem esteja governando. E os benefícios governamentais não são poucos. São vastos, amplos e quase irrestritos.
Não pense que quem orbita nesse âmbito consegue ver além do próprio umbigo; dificilmente. Nem tempo para isso eles possuem. Encheram-se de tal forma de obrigações e de uma vida de alto custo que, ao sentirem o mínimo de ameaça de ficarem de fora de um próximo governo, já começam a orbitar em volta de quem ganhará o próximo. Em nível nacional, aí é que o “negócio” é, de fato, sério.
Circulantes dos Poderes? Você com certeza conhece algum. Quem faz cobertura cotidiana dos poderes conhece vários. Será que ainda acreditam que a sociedade continua estamental? Pior: acreditam que nada mudará. Tudo continuará para sempre da mesma forma. Fizeram parte dos primeiros governos e assim vão seguindo tranquilamente. Quase sempre essas pessoas falam muito pouco e dificilmente tecem algum comentário sobre qualquer governo, mesmo em off. O medo de perder a “boquinha” é tão grande que, cedo, já se posicionam por onde os chefes irão passar, apenas para serem um dos primeiros a fazer saudações.
Mas isso acontece apenas nos âmbitos sociais, políticos e econômicos? Não. No eclesiástico e no religioso também. Em alguns seminários, existem seminaristas que conhecem a agenda do magnífico reitor melhor do que as próprias secretárias. E qual a razão disso? Não perder uma ocasião de estar presente onde o reitor estiver. Muito se fala em contexto vocacional, mas, com o passar do tempo, passa-se a perceber que, sem as “construções relacionais humanas”, não se chega lá — nem a lugar nenhum. Quem pensa apenas humanamente, sim; mas quem realmente acredita em Deus, não.
Circulantes de Poderes? Escrever sobre isso não é algo espinhoso? Geralmente não se escreve a respeito dessa temática, até mesmo porque tudo o que envolve poder ou poderes costuma ser uma verdadeira atuação teatral. O impressionante é que, nos bastidores dos poderes, tudo se sabe, mas nada se expõe.
Certa vez, um amigo, fazendo coberturas legislativas, descobriu muita coisa interessante. Eis o motivo de os circulantes de poderes se darem bem e conseguirem aquilo que, geralmente, as pessoas comuns não conseguem. Esse amigo descobriu que cerca de um terço de uma das casas legislativas que cobria jamais prestou concurso; praticamente todos “foram colocados por pessoas poderosas”. Mas isso era nas décadas de 60 e 70? Cuidado: quem pensa assim pode estar redondamente enganado.
O que de fato fascina nos poderes? A imensa “cadeia institucional protetiva”. Muitos dizem que alguma coisa mudou, mas muito cuidado ao pensar assim. Ainda hoje, mexer em vespeiros de poder é algo perigoso.
Circulantes de Poderes? Quais são as maiores características? Estão sempre à espreita. Praticamente não dormem e quase nunca baixam a guarda. Estão eternamente vigilantes. E quem cuida de tudo isso? O ocupante do poder — ou dos poderes. E qual a razão? Ficar sempre sabendo de tudo.
Mas ninguém gosta de ninguém? Dificilmente. A questão é manter-se. E os próprios governantes possuem a máxima maior de fazer com que todos ao redor estejam sempre em uma luta constante para agradá-los um pouco mais, e das melhores formas possíveis. Mas há um porém: quando o chefe resolve soltar a mão de alguns do entorno, o desespero é inimaginável.
Eis a vida dos Circulantes de Poderes. Ninguém gosta deles — dos circulantes de poderes — porque não inspiram confiança, pois mudam de lado como quem troca de camisa diariamente. Porém, todos os querem, pois tornam o entorno criativo diariamente. Nacionalmente, por estes dias, houve alguém que era muito próximo de um ex-presidente e que já mudou de lado? Os circulantes de poderes não possuem causas nem qualquer ideal?
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