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Polícia FIM DO MISTÉRIO

Caso Emilly: a “diferença de R$ 1.000” que virou sentença de morte

Uma barganha criminosa, dois covardes presos e um feminicídio que escancara a crueldade do submundo em Teresina

07/12/2025 às 10h07 Atualizada em 07/12/2025 às 13h45
Por: Douglas Ferreira
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Emilly Yassmin foi esganada e enforcada com fio de telefone - Foto: Reprodução
Emilly Yassmin foi esganada e enforcada com fio de telefone - Foto: Reprodução

O que era para ser um encontro combinado terminou como uma das histórias mais brutais registradas recentemente em Teresina. Agora já não resta dúvida do que aconteceu, e o que as investigações revelam é tão chocante quanto revoltante. A Polícia Civil do Piauí concluiu que Emilly Yassmyn Silva Oliveira, de apenas 24 anos, foi morta após uma discussão motivada pela tentativa de desconto no valor de um programa sexual. Uma barganha miserável de vida ou morte.

Segundo o delegado Jorge Terceiro, Emilly havia acertado um programa por R$ 1.500, mas os dois homens envolvidos, Hilton Candeira Carvalho, de 37 anos, e Carlos Roberto da Silva Sousa, conhecido como Neném, 28 anos, decidiram pagar apenas R$ 500. A diferença de mil reais virou sentença. O que começou como uma discussão rapidamente escalou para violência. E terminou em execução.

A jovem, revoltada com o calote, ameaçou buscar ajuda de amigos. Foi o suficiente para que a dupla avançasse. As investigações mostram que Emilly foi estrangulada com um fio de telefone, num ataque rápido e covarde que não deu chance de defesa. O delegado descreve a ação como “esganadura e estrangulamento com fio”.

Após o assassinato, começou a segunda fase do crime, ainda mais cruel. Ítalo e Carlos transportaram o corpo até uma área remota da Estrada da Alegria, onde atearam fogo numa tentativa desesperada e amadora de ocultar o cadáver. A polícia reforça que a intenção era apagar rastros, atrasar a perícia e confundir o início da investigação. Não conseguiram.

Os assassinos Hilton e Carlos e a vítima de feminicídio, Emilly Yassmin - Foto: Rerpodução

A brutalidade do caso fez com que o crime fosse imediatamente tratado como feminicídio, já que, segundo a Polícia Civil, houve “menosprezo pela condição da vítima e pela atividade que exercia”. Em outras palavras, os criminosos se sentiram autorizados a matá-la.

Os dois suspeitos foram localizados, detidos e levados ao DHPP, onde passaram por longas oitivas antes de serem encaminhados ao sistema prisional. Ítalo seria o autor direto do estrangulamento, e Carlos teria participado do transporte e da queima do corpo. Ambos, entretanto, assumiram envolvimento no crime.

A polícia já confirmou as linhas gerais da dinâmica: Emilly não foi morta na Estrada da Alegria. Ela foi assassinada antes, provavelmente em local fechado, e depois desovada no ponto onde o corpo foi encontrado carbonizado.

O assassino Hilton Candeira e Emilly Yassmim - Foto: Reprodução

As investigações seguem em curso, mas o essencial já está estabelecido. Os dois criminosos responderão por homicídio qualificado, feminicídio, ocultação de cadáver e destruição de cadáver. A soma das penas pode ultrapassar décadas.

O caso expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade de mulheres que encontram homens pela internet e a frieza com que determinados indivíduos tratam a vida humana. Emilly, que compartilhou a própria localização numa tentativa de se proteger, não conseguiu escapar da brutalidade que encontrou naquela noite.

Agora, enquanto os presos aguardam decisão da Justiça, a família tenta lidar com a dor e com a violência indescritível que encerrou a vida da jovem pernambucana. O nome de Emilly entra para a lista das vítimas de um tipo de crime que o país insiste em repetir.

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