
Facções criminosas da América Latina deixaram de ser apenas organizações dedicadas ao tráfico e à violência urbana e passaram a atuar como verdadeiros atores políticos. É o que aponta um relatório recente do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), um dos centros de pesquisa mais respeitados do mundo. Segundo o levantamento, grupos criminosos têm ampliado sua influência sobre instituições públicas, eleições e governos, aproximando-se do modelo de grupos armados com ambições políticas e controle territorial.
De acordo com o instituto britânico, essas facções vêm seguindo um caminho semelhante ao de organizações terroristas internacionais, ao buscar proteger seus interesses econômicos por meio da infiltração no Estado. Em países como Colômbia e México, essa interferência aparece com mais força na violência política, mas também na tentativa de ocupar espaços típicos do poder público, como a oferta de serviços, a imposição de regras próprias e até o desenvolvimento de estruturas militares paralelas.
O relatório cita como exemplos o Tren de Aragua, da Venezuela, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), do Brasil. Ambas as organizações teriam expandido seu controle territorial por meio da violência, de alianças estratégicas e de relações com agentes públicos corruptos. Segundo o IISS, instituições frágeis e corrupção facilitam esse avanço, criando um ambiente de risco para a democracia e para o Estado de Direito, com impactos que ultrapassam as fronteiras nacionais.
Essa leitura é reforçada por análises publicadas na revista Americas Quarterly. Para o pesquisador Will Freeman, do Conselho de Relações Exteriores (CFR), o crime organizado já domina técnicas sofisticadas de infiltração no poder público. Além de assassinatos políticos, as facções pressionam candidatos, sabotam campanhas, financiam eleições e negociam acordos clandestinos com autoridades eleitas. Quando esses pactos funcionam, o Estado passa a ser usado como ferramenta do crime, seja para lavar dinheiro, legalizar bens ou cooptar forças de segurança, consolidando um poder paralelo que convive ou disputa espaço, com o governo oficial.
Coitado do nosso Brasil.
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