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Reflexão para o 2º Domingo do Advento

O Natal autêntico é a abertura do coração ao Senhor, para que Ele venha até nós e se instale da maneira que quiser. Certamente, os frutos dessa abertura serão a fraternidade, a alegria sincera, o serviço despretensioso e a gratuidade no ser e no agir.

06/12/2025 às 17h37
Por: Josenildo Melo Fonte: Santa Sé - Vaticano
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Santa Sé - Cúria Romana - Vaticano
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Reflexão para o 2º Domingo do Advento

O Natal autêntico é a abertura do coração ao Senhor, para que Ele venha até nós e se instale da maneira que quiser. Certamente, os frutos dessa abertura serão a fraternidade, a alegria sincera, o serviço despretensioso e a gratuidade no ser e no agir.

Por Josenildo Melo - Vatican News

A liturgia deste domingo nos propõe, de maneira especial, uma mudança radical que nos torne pessoas conforme o coração de Deus. A primeira leitura, tirada do livro do Profeta Isaías, nos dá uma visão do mundo que Deus deseja e pelo qual devemos trabalhar para tornar realidade: a harmonia entre as criaturas, sejam racionais ou irracionais. O Evangelho nos conduz à radicalidade ao apresentar a figura de João Batista, que prega a metanoia — a mudança de mentalidade.

O termo técnico usado pela espiritualidade para falar dessa transformação do pensar e do querer é a palavra grega metanoia. Frequentemente, usamos o termo "metamorfose" para indicar uma mudança de forma, mas metanoia se refere à mudança de cabeça, ou seja, à transformação da maneira de pensar e agir.

João Batista prega essa mudança ao falar de conversão, e a exemplifica com seu modo de vida simples e voltado para Aquele que está por vir: Jesus Cristo.

Se estamos voltados para nós mesmos, consumistas, fechados em nossos próprios mundos — formados pela nossa família ou círculo de amigos — se ignoramos a realidade ao nosso redor e pensamos apenas nos negócios da família, precisamos de conversão. Se continuarmos assim, o Natal jamais será autêntico em nossas vidas, mesmo que nossas casas estejam bem iluminadas, decoradas, e cheias de presépios. Seria o famoso "Natal consumista", sem a presença do aniversariante, porque não haverá lugar para Ele em nossos valores e em nossa vida.

O Natal autêntico é a abertura do coração ao Senhor, para que Ele venha até nós e se instale como quiser. E os frutos dessa acolhida serão a fraternidade, a alegria sincera, o serviço despretensioso e a gratuidade no ser e no agir.

Existe uma fábula de La Fontaine — O Cordeiro e o Lobo — em que fica claro que o mais forte sempre encontra uma justificativa para devorar o mais fraco, mesmo quando este não tem culpa alguma. Da mesma forma, nós, fechados em nosso mundo e confiantes em nossa própria sabedoria e discernimento, frequentemente encontramos razões para fazer o que nos agrada, acreditando que sempre temos razão e que os errados são os outros. Deixemo-nos questionar pela Palavra de Deus! Ela é a nossa salvação, a libertação de nós mesmos! Este é o tempo propício para a conversão, para a mudança de mentalidade.

Se o coração não estiver transformado, o Senhor não virá até cada um de nós. A imagem usada por João Batista deixa claro que, para o rei chegar ao seu povo, é necessário que os caminhos sejam endireitados. Caso contrário, se tornam impossíveis de percorrer. Não é que o Senhor exija os caminhos, mas como Ele pode entrar em um coração fechado, em uma mente que não se abre para novas ideias, que não permite deixar para trás outras? Como acolher o outro se temos muros que impedem o acesso a nós?

Na Eucaristia, celebramos o mundo da partilha, onde Deus, e não o dinheiro, é o Pai. O caminho é o da austeridade de vida e da solidariedade. Isso se aplica a todos os bens que possuímos, sejam materiais, espirituais, psicológicos, afetivos ou intelectuais. O sacrifício pelo outro, até mesmo pela nossa própria liberdade, se necessário, faz parte dessa dinâmica, pois a Eucaristia é o sacrifício da Vida, realizado pelo Amor e partilhado em favor de todos.

A segunda leitura nos ensina que essa acolhida deve ser para todos os homens, fracos ou fortes, sem qualquer tipo de preconceito. Ela também nos lembra da necessidade de unir nossos sentimentos, a exemplo de Jesus Cristo.

Além disso, é preciso criar raízes. Nos primeiros tempos da evangelização do Brasil, nossos índios, após um período em que os missionários se alegravam pelos aparentes frutos colhidos, retornavam aos antigos costumes, o que causava grande tristeza aos missionários pela falta de perseverança dos nativos. É necessário uma mudança radical!

Neste segundo domingo do Advento, peçamos ao Senhor que invada nosso coração, aplane nossa afetividade, corrija nossos valores e derrube nossos muros. Que nossa vida, com toda sua riqueza, seja colocada em favor da paz e da harmonia entre os homens. Que a paz e a beleza da noite de Natal, quando veio ao mundo o Príncipe da Paz, não seja ofuscada pelo nosso egoísmo, mas sim permitida pelo nosso querer, pelo nosso agir, pelo nosso coração. O Advento/Natal é tempo de amar, de mudar de vida para amar mais plenamente.

Nossa vocação é o Amor! Vivamos o Amor sem limites, sem empecilhos, sem barreiras, o Amor da Noite de Natal!

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Sobre Josenildo Nascimento Melo é jornalista, estudou direito, é Bacharel em Serviço Social pelo ICF - Instituto Camillo Filho. É também licenciado em Filosofia pelo ICESPI - Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí.
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