
O crime é ágil, criativo, engenhoso, e, quando precisa, absolutamente previsível. Já o empresariado, quando não se previne, vira aluno reprovado na escola da malandragem. Foi exatamente o que aconteceu mais uma vez na tarde desta sexta-feira (28), na unidade Primavera do Atacadão, em Teresina. Um velho golpe, conhecido, repetido e já sofrido pela rede, voltou a ser aplicado com a mesma facilidade de quem entra para comprar arroz e sai carregando o malote de dinheiro.
O criminoso, demonstrando conhecimento evidente das fragilidades internas do estabelecimento, entrou, agiu e saiu sem levantar suspeita. O roteiro foi o mesmo de sempre: uniforme idêntico ao dos funcionários, acesso livre a um setor restrito, arma exibida no momento certo e um malote entregue sem resistência. Um filme antigo, reprisado agora em alta definição.
E aí surgem as perguntas inevitáveis, quase constrangedoras:
Por que o Atacadão, já vítima de golpe semelhante, não se precaveu?
Como os bandidos transitam com tanta desenvoltura?
Há colaboração interna? “Parada dada”?
Ou o problema é mesmo a ilusão de que raios, e ladrões, não caem duas vezes no mesmo lugar?
Segundo o 9º Batalhão da Polícia Militar, o assaltante entrou na loja usando uniforme igual ao dos trabalhadores, misturou-se ao fluxo e chegou à sala onde os valores eram processados. Lá, puxou a arma, rendeu os funcionários e exigiu o dinheiro, colocado numa mochila. Tudo rápido, limpo, eficiente. O bandido, ao que parece, estudou a operação financeira do supermercado melhor do que o próprio supermercado.
Após o golpe, o criminoso deixou o local com apoio de um comparsa que o aguardava no estacionamento. A dupla não fez alarde. Não precisou. Sabia exatamente o que estava fazendo, e sabia que nada ali os impediria.
A identidade dos suspeitos ainda não foi confirmada. A PM realiza diligências na região, e o caso ficará sob investigação da Polícia Civil do Piauí. Enquanto isso, paira a dúvida: o Atacadão vai finalmente implantar mecanismos de segurança eficazes ou continuará oferecendo aos criminosos, inadvertidamente, uma operação quase plug & play?
Porque, se o bandido voltar amanhã, a pergunta que incomoda é simples:
ele terá sucesso de novo?
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