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Piauí CIRANDA FINANCEIRA

O Piauí virou agência de crédito? A matemática criativa de Rafael Fonteles e a conta que sempre sobra para o povo

Governador já empurrou quase R$ 20 bilhões em dívidas, agora pede mais R$ 8 bilhões, e a Alepi, como sempre, aprova no escuro. Ano eleitoral à vista: coincidência demais para ser só coincidência

26/11/2025 às 06h39
Por: Douglas Ferreira
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Governador Rafael Fonteles - Foto: Reprodução
Governador Rafael Fonteles - Foto: Reprodução

Aquela velha máxima, “todo dinheiro do mundo é pouco para quem gasta mal”, parece ter sido escrita sob medida para o governo de Rafael Fonteles. Mesmo após mergulhar o Piauí num endividamento próximo dos R$ 20 bilhões em menos de um mandato, o governador volta à porta da Assembleia Legislativa, chapéu na mão, pedindo mais. Muito mais. R$ 8 bilhões. Como se governar fosse um exercício permanente de viver no vermelho e fingir que a fatura nunca chega.

O mais espantoso é que tudo soa repetido, automático, burocrático, quase um Ctrl C + Ctrl V mal disfarçado. Os deputados, previsivelmente, vão aprovar de olhos fechados, como sempre fizeram quando o assunto é endividar o Estado. Questionamento? Auditoria? Debate? Esqueça. O reflexo é tão condicionado que parece até coreografia ensaiada.

As justificativas do governo são as mesmas de sempre: infraestrutura, mobilidade, urbanização, recursos hídricos, transformação digital. O pacote mágico onde cabe tudo e não se comprova nada. O problema não é o discurso, é a prática. Porque empréstimo para pagar empréstimo é a lógica clássica do endividado sem controle, que toma dinheiro com um agiota para pagar outro, afundando-se cada vez mais.

E há algo ainda mais perigoso no ar: é ano eleitoral. Ano de “vale tudo”. Ano de tapinha nas costas, visita surpresa, verba liberada na véspera, inauguração de meio-fio como se fosse ponte interestadual. Ano de prefeitos, vereadores, influenciadores, cabos eleitorais e novos aliados sedentos por “atenção”.

Se em 2022 houve flagrante de gente presa com carro cheio de dinheiro e material de campanha, por que 2026 seria diferente, ainda mais com R$ 8 bilhões fresquinhos circulando?

O discurso oficial tenta vender credibilidade. O governo afirma que o impacto financeiro é “plenamente justificável”. Plenamente justificável para quem? Para um Estado que acumula dívida atrás de dívida? Para um povo que já paga uma das cargas tributárias mais altas da região?

Quem garante que esse dinheiro irá realmente para infraestrutura e não para cabos eleitorais travestidos de prestadores de serviço?
Quem assegura que cada centavo chega ao destino final e não desaparece na névoa conveniente da campanha?

O primeiro pedido, R$ 4,98 bilhões junto ao Banco do Brasil, entrou na Alepi com toda a pompa e nenhuma explicação concreta. O segundo, US$ 600 milhões do BID (convertidos, são mais R$ 3,2 bilhões no cofre furado do Estado), é vendido como renegociação de dívidas, mas na prática é apenas mais um impulso no carrossel infinito onde se paga dívida velha com dívida nova.

Enquanto isso, o discurso de gestão técnica, “governo da matemática”, perde força diante de uma operação aritmética muito mais simples: some dívidas, multiplique empréstimos, divida responsabilidades e subtraia futuro.

Rafael Fonteles administra o Piauí como quem administra uma planilha desorganizada: muda números, arrasta colunas, recalcula previsões, e vai empurrando a fatura para quem vier depois. É o tipo de gestão que chama de avanço aquilo que, na prática, é empacotamento de dívida para a próxima geração pagar.

E a pergunta, que já virou grito, insiste em ecoar:

Até quando?

Até quando um Estado pobre será tratado como se tivesse o orçamento de Dubai?
Até quando deputados vão carimbar dívidas que não são deles, mas do povo?
Até quando vamos fingir que endividamento é sinônimo de progresso?

O Piauí está sendo administrado com quatro operações enviesadas:
divide-se o orçamento, subtrai-se o futuro, some-se a dívida e multiplica-se a irresponsabilidade.

E a cada novo empréstimo, não é o governo que entra no vermelho, é o cidadão.

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