
Só mesmo no Brasil - e, convenhamos, só mesmo no PT - para um deputado estadual transformar o meio da rua em ringue de luta livre. Renato Freitas, conhecido mais pelas polêmicas do que pelo trabalho legislativo, protagonizou mais um vexame nesta quarta-feira (19), ao se envolver numa briga em plena Rua Vicente Machado, no Centro de Curitiba.
E, para piorar, tentou bater… e terminou apanhando.
O vídeo, que viralizou instantaneamente, mostra troca de socos, empurrões e um nocaute quase cinematográfico. É o tipo de cena que resume a degradação da política contemporânea: parlamentar que confunde mandato com carteirinha de clube de luta.
Até agora, não há versão oficial convincente.
A assessoria do deputado afirma que tudo teria começado por causa de uma “discussão acalorada”, mas sem detalhar o motivo. Alega ainda que Renato teria sido provocado - uma justificativa tão genérica quanto recorrente em brigas de bar.
Nos bastidores, circulam relatos de que a confusão teria sido motivada por:
debate político que saiu do controle;
possível desentendimento prévio entre os envolvidos;
ou mesmo provocações mútuas durante a discussão.
Nada confirmado.
Mas, em qualquer cenário, não existe justificativa razoável para um parlamentar descer ao nível de briga corporal em via pública.
O homem que aparece no vídeo trocando socos com Freitas ainda não teve a identidade oficialmente divulgada. Mas relatos iniciais apontam que não se trata de militante político nem de figura conhecida.
Parece ser um cidadão comum que, por algum motivo - ainda nebuloso - acabou envolvido na discussão.
O que está claro é: ele levou a melhor.
E expôs, diante das câmeras, mais um capítulo da longa lista de controvérsias do parlamentar petista.
A briga pública é só mais um item num currículo recheado de turbulências:
Suspensão no Conselho de Ética da ALEP por incitar invasão da Assembleia (punição depois suspensa pela Justiça);
Cassação como vereador de Curitiba, derrubada pelo STF;
Envolvimento constante em protestos que ultrapassam o limite institucional.
Renato Freitas se tornou um personagem que vive no fio da navalha entre ativismo político e conduta incompatível com o cargo.
Essa é a pergunta inevitável.
Historicamente, o PT costuma blindar seus quadros - mesmo os mais problemáticos. O partido já defendeu Freitas em episódios anteriores, sempre pintando críticas como “perseguição política”.
Agora, porém, a situação é mais delicada:
O vídeo é explícito, não há interpretação possível.
A quebra de decoro é evidente, porque a legislação não exige que a conduta inapropriada ocorra dentro da Assembleia.
A repercussão nacional é negativa, e ainda mais em um momento em que o PT tenta controlar danos na opinião pública.
Nos próximos dias, veremos se o partido tende à autocrítica - improvável - ou se reafirmará o velho hábito de minimizar tudo como se fosse “mera provocação”.
O vereador Guilherme Kilter (Novo) protocolou pedido de cassação por quebra de decoro. A iniciativa tem peso simbólico, mas a decisão final depende:
Da ALEP, onde Freitas tem aliados;
De interpretação política, não apenas jurídica;
Do humor do PT, que controla a narrativa interna.
Ou seja: cassação é possível, mas não garantida.
O vídeo pressiona, a opinião pública exige punição, mas a política brasileira tem um talento quase sobrenatural para transformar escândalos em nada.
A imagem é forte: um deputado, no meio da rua, brigando como adolescente de escola.
Não é apenas constrangedor. É indicativo de decadência institucional.
Quando um parlamentar que deveria legislar, fiscalizar e servir ao Estado se permite esse tipo de comportamento, o que sobra?
Sobra vergonha.
Sobra descrédito.
E sobra a sensação de que a política brasileira, em certos casos, enche muito e representa pouco.
Confira o vídeo e tire suas próprias conclusões:
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