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Acidente de trabalho: quem era o técnico que morreu eletrocutado em Teresina e o que realmente aconteceu

Descarga elétrica matou Verneck Stephanie, de 31 anos, durante instalação de ar-condicionado; investigação apura se houve falha no procedimento, equipamento energizado ou fiação irregular

18/11/2025 às 21h00
Por: Douglas Ferreira
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Verneck Stephanie Pinheiro - Foto: Reprodução
Verneck Stephanie Pinheiro - Foto: Reprodução

O técnico em refrigeração Verneck Stephanie Pinheiro de Sousa Brito, de 31 anos, foi a vítima fatal do grave acidente ocorrido nesta terça-feira (18/11), durante a instalação de um ar-condicionado em um imóvel no Centro-Sul de Teresina. Ele trabalhava ao lado do pai, também técnico experiente, que recebeu a mesma descarga elétrica, mas sobreviveu e permanece em estado estável.

A morte de Verneck chocou a categoria, familiares e moradores da região. O caso reacende um alerta decisivo: mesmo profissionais experientes estão sujeitos a riscos extremos quando a rede elétrica não está totalmente isolada ou quando há falhas invisíveis na instalação.

Quem era a vítima

Verneck Stephanie era conhecido no setor de refrigeração residencial e comercial em Teresina. Atuava há anos ao lado do pai, com quem formava uma dupla técnica reconhecida pela experiência em manutenção e instalação de equipamentos de ar-condicionado.

Profissionais próximos relataram que ambos eram cuidadosos e experientes, o que aumenta o mistério sobre como um choque tão intenso pôde ocorrer.

Como foi o acidente

De acordo com o Corpo de Bombeiros, pai e filho trabalhavam na instalação do aparelho quando, em algum momento do procedimento, houve contato direto com uma fiação ou estrutura energizada.

Os bombeiros ainda tentaram reanimar Verneck com massagens cardíacas e ventilação assistida, mas ele não resistiu.
O pai foi socorrido pelo SAMU e sobreviveu.

Embora os detalhes estejam sob investigação, o cenário aponta para uma das seguintes possibilidades:

. A rede não estava totalmente desligada

É comum que acidentes ocorram quando o disjuntor não é desligado, fica parcialmente energizado ou quando há retorno de energia por ligações irregulares.

. Fio desencapado ou mau contato invisível

Uma pequena área exposta pode energizar toda a carcaça metálica do equipamento, e isso é suficiente para provocar um choque fatal.

. Estrutura metálica energizada

Se a condensadora, suportes ou tubulações de cobre estavam tocando uma superfície energizada, o risco é imediato.

. Curto-circuito interno do aparelho

Falha na unidade, somada à ausência de aterramento eficiente, pode transformar um simples toque em uma descarga de alta intensidade.

Foi descuido, negligência ou fatalidade?

Neste momento, não há indício concreto de negligência, e é precipitado atribuir culpa às vítimas.
Acidentes desse tipo frequentemente reúnem uma combinação de fatores:

  • um ponto energizado que não deveria estar energizado,

  • uma instalação residencial antiga ou irregular,

  • aterramento ausente ou mal feito,

  • fios com desgaste invisível,

  • e, às vezes, um retorno inesperado de carga.

A pergunta que permanece é: como dois técnicos experientes foram surpreendidos?

A resposta provável é que a descarga veio de uma fonte oculta, não perceptível à primeira vista, justamente o tipo de situação que mais mata profissionais de refrigeração, eletricistas e instaladores.

A perícia deve determinar:

  • se a rede estava desligada;

  • se havia energia residual;

  • se existia ligação clandestina;

  • se o aterramento era insuficiente;

  • e se o equipamento apresentava falha interna.

Por que acidentes assim matam tão rápido

Choques elétricos de instalação doméstica podem chegar a dezenas ou centenas de volts, mais que suficiente para:

  • provocar parada cardíaca,

  • fibrilação ventricular,

  • queimaduras internas,

  • e perda imediata de consciência.

Mesmo com experiência, ninguém consegue reagir em milésimos de segundo, e o corpo pode ficar preso ao ponto de contato.

O alerta que não pode ser ignorado

A morte de Verneck reforça uma lição que o Corpo de Bombeiros repete exaustivamente:

Eletricidade não perdoa.
Ela não dá aviso.
E não permite erro.

Antes de qualquer instalação:

  • o disjuntor deve ser totalmente desligado;

  • todas as ferramentas devem ser certificadas;

  • o ambiente deve estar seco;

  • o aterramento precisa estar funcional;

  • e qualquer suspeita de irregularidade na rede deve ser comunicada à distribuidora.

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