
O técnico em refrigeração Verneck Stephanie Pinheiro de Sousa Brito, de 31 anos, foi a vítima fatal do grave acidente ocorrido nesta terça-feira (18/11), durante a instalação de um ar-condicionado em um imóvel no Centro-Sul de Teresina. Ele trabalhava ao lado do pai, também técnico experiente, que recebeu a mesma descarga elétrica, mas sobreviveu e permanece em estado estável.
A morte de Verneck chocou a categoria, familiares e moradores da região. O caso reacende um alerta decisivo: mesmo profissionais experientes estão sujeitos a riscos extremos quando a rede elétrica não está totalmente isolada ou quando há falhas invisíveis na instalação.
Verneck Stephanie era conhecido no setor de refrigeração residencial e comercial em Teresina. Atuava há anos ao lado do pai, com quem formava uma dupla técnica reconhecida pela experiência em manutenção e instalação de equipamentos de ar-condicionado.
Profissionais próximos relataram que ambos eram cuidadosos e experientes, o que aumenta o mistério sobre como um choque tão intenso pôde ocorrer.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, pai e filho trabalhavam na instalação do aparelho quando, em algum momento do procedimento, houve contato direto com uma fiação ou estrutura energizada.
Os bombeiros ainda tentaram reanimar Verneck com massagens cardíacas e ventilação assistida, mas ele não resistiu.
O pai foi socorrido pelo SAMU e sobreviveu.
Embora os detalhes estejam sob investigação, o cenário aponta para uma das seguintes possibilidades:
É comum que acidentes ocorram quando o disjuntor não é desligado, fica parcialmente energizado ou quando há retorno de energia por ligações irregulares.
Uma pequena área exposta pode energizar toda a carcaça metálica do equipamento, e isso é suficiente para provocar um choque fatal.
Se a condensadora, suportes ou tubulações de cobre estavam tocando uma superfície energizada, o risco é imediato.
Falha na unidade, somada à ausência de aterramento eficiente, pode transformar um simples toque em uma descarga de alta intensidade.
Neste momento, não há indício concreto de negligência, e é precipitado atribuir culpa às vítimas.
Acidentes desse tipo frequentemente reúnem uma combinação de fatores:
um ponto energizado que não deveria estar energizado,
uma instalação residencial antiga ou irregular,
aterramento ausente ou mal feito,
fios com desgaste invisível,
e, às vezes, um retorno inesperado de carga.
A pergunta que permanece é: como dois técnicos experientes foram surpreendidos?
A resposta provável é que a descarga veio de uma fonte oculta, não perceptível à primeira vista, justamente o tipo de situação que mais mata profissionais de refrigeração, eletricistas e instaladores.
A perícia deve determinar:
se a rede estava desligada;
se havia energia residual;
se existia ligação clandestina;
se o aterramento era insuficiente;
e se o equipamento apresentava falha interna.
Choques elétricos de instalação doméstica podem chegar a dezenas ou centenas de volts, mais que suficiente para:
provocar parada cardíaca,
fibrilação ventricular,
queimaduras internas,
e perda imediata de consciência.
Mesmo com experiência, ninguém consegue reagir em milésimos de segundo, e o corpo pode ficar preso ao ponto de contato.
A morte de Verneck reforça uma lição que o Corpo de Bombeiros repete exaustivamente:
Eletricidade não perdoa.
Ela não dá aviso.
E não permite erro.
Antes de qualquer instalação:
o disjuntor deve ser totalmente desligado;
todas as ferramentas devem ser certificadas;
o ambiente deve estar seco;
o aterramento precisa estar funcional;
e qualquer suspeita de irregularidade na rede deve ser comunicada à distribuidora.
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