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Polícia LUÍS CORREIA

Quando o litoral sangra: a expansão implacável das facções na planície litorânea do Piauí

Luís Correia e municípios vizinhos vivem sob domínio do crime organizado, onde mortes de jovens tornaram-se rotina e a sensação de Estado ausente cresce a cada madrugada

15/11/2025 às 13h29 Atualizada em 15/11/2025 às 14h14
Por: Douglas Ferreira
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As mortes ocorreram no porto de Tóteles, em Luís Correia - Foto: Reprodução
As mortes ocorreram no porto de Tóteles, em Luís Correia - Foto: Reprodução

A madrugada de horror registrada no Porto dos Tóteles, em Luís Correia, revelou mais um capítulo da rotina sangrenta que tomou conta da planície litorânea do Piauí. Dois pescadores, torturados e assassinados dentro de uma embarcação, e um terceiro baleado, compõem um cenário que já não choca mais ninguém, e esse talvez seja o sinal mais grave de todos: a naturalização da barbárie. Luís Correia, Parnaíba e municípios vizinhos vivem sob o domínio cotidiano de facções criminosas, que transformaram o litoral piauiense em território de execução sumária.

Segundo a Polícia Militar, cerca de sete homens armados chegaram ao Porto dos Tóteles por volta de 1h30 da madrugada, renderam as vítimas, imobilizaram-nas e deram início a uma sessão de tortura brutal digna de cenários de guerra. Douglas Júlio da Silva Vasconcelos, de 20 anos, foi encontrado morto com uma grave lesão na cabeça e sinais de enforcamento. Já Caíque, natural de Uruburetama/CE, recebeu cerca de seis disparos e também apresentava ferimentos por arma branca, evidenciando a crueldade dos executores.

A terceira vítima, identificada apenas como Thallisson, foi atingida por um disparo nas costas, encaminhada ao HEDA e recebeu alta. Ainda assim, o episódio reforça o clima de terror que domina a região, onde a sobrevivência é cada vez mais uma questão de sorte.

Thallisson foi alvejado nas costas mas sobreviveu - Foto: Reprodução

As equipes de Perícia Criminal, IML e Polícia Civil foram acionadas, mas, até o momento, não há informações sobre os envolvidos no crime. Como em tantos outros casos recentes, a execução traz a marca evidente das facções que controlam o litoral do Piauí.

O mais grave é que crimes dessa natureza deixaram de ser exceção. A violência que antes se concentrava em pontos isolados agora domina Luís Correia. Jovens se tornaram alvos descartáveis, e moradores vivem em estado permanente de medo e vulnerabilidade.

A região, que deveria ser o cartão-postal do turismo piauiense, virou rota de tráfico, esconderijo de criminosos e palco de execuções cada vez mais ousadas. O Porto dos Tóteles, símbolo de trabalho e sustento, foi transformado em cenário de guerra.

Enquanto isso, o policiamento permanece insuficiente, incapaz de enfrentar o poder bélico crescente das organizações criminosas, que se expandem com velocidade alarmante. A população observa, desamparada, o avanço de uma violência que parece incontrolável.

A outra vítima foi executada já fora do barco - Foto: Reprodução

O litoral do Piauí vem sendo tomado pelo crime organizado. Facções disputam território, impõem regras próprias, realizam execuções, torturas e deixam cadáveres como mensagem pública. Trata-se de um estado de alarme absoluto.

O duplo homicídio desta madrugada não é um caso isolado, é parte de um padrão que se repete, quase sempre envolvendo jovens e quase sempre ligado ao narcotráfico. O litoral piauiense já vive um ciclo de violência normalizado e devastador, onde a morte se tornou apenas mais um dado na estatística.

O crime avança porque o Estado recuou. Hoje, Luís Correia e cidades vizinhas assistem ao fortalecimento das facções e à derrota lenta da sociedade diante de um projeto de terror que se impõe pela força.

E nem é preciso muito esforço dos criminosos. Ruas e avenidas às escuras ajudam na abordagem, na execução e na fuga. A avenida da orla de Luís Correia, é a única em todo o Nordeste que vive na escuridão ou bom precária iluninação. Sem movimentos em bares ou restaurantes, nem mesmo na alta estação. O medo domina. 

Veja este vídeo gravado no final de outubro:

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