
O empresário Haran Santhiago Girão Sampaio, proprietário da Rede de Postos HD, prestou depoimento à Polícia Civil do Piauí na manhã desta quinta-feira (6), após ser interceptado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na noite anterior. Ele foi um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto 86, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Acompanhado da esposa, Thamyres Leite Moura Sampaio, Haran compareceu à sede da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP/PI) e, em seguida, foi encaminhado ao Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) para ser interrogado. Fontes ligadas à investigação confirmaram que o empresário entregou o passaporte às autoridades, cumprindo determinação judicial do juiz Valdemir Ferreira Santos.
Durante o depoimento, Haran negou qualquer envolvimento com o PCC e afirmou que as operações de sua empresa são legítimas. Segundo ele, a venda da Rede HD em 2023 para a Pima Energia Participações Ltda. teria sido uma transação legal, sem relação com lavagem de capitais. Entretanto, a Polícia Civil contesta essa versão, sustentando que a venda foi uma “sucessão societária fraudulenta” — uma manobra para manter o controle do grupo mesmo após a transferência formal.
O empresário não admitiu a prática de nenhum crime, e após o interrogatório, foi liberado, mas permanece sob medidas restritivas, incluindo a proibição de deixar o país e a entrega do passaporte. Dentro do território nacional, ele ainda pode viajar, mas sob monitoramento e notificação prévia à Justiça.
Já o empresário Danillo Coelho de Sousa, também alvo da operação e apontado como sócio oculto na rede de postos, também teve o passaporte apreendido e deve prestar novo depoimento nos próximos dias. As esposas de ambos, Thamyres e Thayres Leite Moura, também tiveram os documentos retidos pela Justiça.
O delegado Laércio Evangelista, coordenador do DRACO, afirmou que a investigação revelou uma estrutura empresarial altamente complexa, com empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs usadas para movimentar dinheiro do crime. “Identificamos pelo menos 70 CNPJs operando nessa engrenagem financeira. O grupo investigado funcionava como o braço econômico do PCC no Piauí”, declarou o delegado.
Ainda segundo o DRACO, a Rede HD teria atuado tanto na lavagem de capitais quanto na adulteração de combustíveis, razão pela qual 31 postos foram interditados em todo o estado. A polícia apura ainda a participação de doleiros e operadores financeiros que davam suporte às transações ilegais.
Apesar das negativas de Haran, os investigadores acreditam que o grupo teria expandido suas operações para os estados do Maranhão e Tocantins, criando uma rede interestadual de lavagem de dinheiro disfarçada sob o manto do setor de combustíveis.
O caso segue em fase sigilosa, mas a Polícia Civil promete novas prisões e apreensões nos próximos dias. Enquanto isso, a população observa perplexa o desenrolar de uma investigação que mistura ostentação, poder e crime organizado — e que pode expor um dos maiores esquemas de corrupção empresarial já vistos no Piauí.
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