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Piauí FALTA D'ÁGUA

Crise hídrica no Piauí: água vira luxo e indignação cresce de Norte a Sul

De Cristalândia a Cajueiro da Praia, piauienses enfrentam a pior crise de abastecimento dos últimos anos. Mesmo pagando caro, moradores e turistas convivem com torneiras secas, cisternas e a dependência de caminhões-pipa

05/11/2025 às 11h09 Atualizada em 07/11/2025 às 08h43
Por: Douglas Ferreira
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Publicitária Marina Linard - Foto: Reprodução
Publicitária Marina Linard - Foto: Reprodução

A água em boa parte dos municípios piauienses virou artigo de luxo. De Cristalândia, no extremo Sul do Estado, a Cajueiro da Praia, no litoral, a população sofre com a falta de água potável nas torneiras. Só para se ter uma ideia, moradores de Gilbués ficaram sem água sequer para beber, mesmo após a chegada da gestão da Águas do Piauí. E até Guadalupe — cidade banhada pelo imenso lago da Barragem de Boa Esperança — padece com a escassez do recurso. Um cenário simplesmente inexplicável.

Na periferia de Teresina, o colapso se reveza de bairro em bairro. No litoral, a situação não é diferente: os municípios da planície litorânea enfrentam o mesmo drama. O paradisíaco vilarejo de Barra Grande, em Cajueiro da Praia — um dos maiores redutos de turistas europeus no Estado —, enfrenta sérios problemas no abastecimento. Mesmo com uma vasta rede hoteleira e gastronômica, a falta d’água é constante. No condomínio Vila Maria, por exemplo, a solução tem sido recorrer a cisternas para garantir água nas torneiras. Quando o fornecimento da Águas do Piauí falha, o preço da água sobe às alturas, seguindo a velha lei da oferta e da procura.

A concessionária Águas do Piauí justifica que a demanda é alta e que não consegue atender a todos. O caso é tão grave que chegou às redes sociais. A publicitária Marina Linard usou suas plataformas para fazer um pedido de socorro sobre a crise de abastecimento em Barra Grande, um dos destinos mais procurados do litoral piauiense.

Em seu vídeo, Marina relata que, mesmo pagando as contas em dia desde janeiro, continua sem acesso à água potável. Durante a alta temporada, o valor chega a triplicar, e o abastecimento se transforma praticamente em um leilão, onde só quem pode pagar mais consegue garantir o fornecimento.

Todas as vezes que vou a Barra Grande, preciso comprar água de caminhão-pipa. Imagine quem mora lá e depende disso diariamente”, desabafou.

A situação é particularmente crítica para o turismo local. A falta de abastecimento básico encarece a estada, impactando tanto os visitantes quanto os moradores. O custo da água dos caminhões-pipa é repassado para todos, tornando o destino caro e ampliando as desigualdades sociais.

A responsabilidade histórica pelo abastecimento é da Agespisa, que administrou o sistema por décadas. A Águas do Piauí, nova concessionária que assumiu em julho deste ano, enfrenta o desafio de reestruturar o serviço, mas a crise em Barra Grande expõe um problema antigo e mal resolvido.

O vídeo de Marina Linard rapidamente ganhou repercussão, ampliando o debate e pressionando autoridades e a concessionária por uma resposta efetiva. É inconcebível que uma região com tanto potencial turístico sofra com algo tão básico quanto a falta d’água.

A Gazeta Hora1 acompanha as denúncias e cobra da Águas do Piauí um posicionamento claro sobre o plano de reestruturação do sistema, especialmente nas áreas turísticas e de maior impacto econômico para o Estado. Enquanto isso, moradores seguem à mercê de um serviço precário, torcendo para que o próximo caminhão-pipa chegue antes que a cisterna seque completamente.

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