Quarta, 22 de Julho de 2026
22°

Tempo nublado

Teresina, PI

Tecnologia TECNOLOGIA

Europa rompe com Microsoft e adota Linux e softwares abertos em nome da soberania digital

Após bloqueios e preocupações com segurança, o Tribunal Penal Internacional e governos europeus migram para sistemas de código aberto, marcando uma virada histórica contra a dependência tecnológica das Big Techs

02/11/2025 às 16h48
Por: Wagner Albuquerque
Compartilhe:
Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

O Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, decidiu abandonar o Microsoft Office e adotar o OpenDesk, um pacote de ferramentas de código aberto desenvolvido na Alemanha. A mudança ocorre após um impasse diplomático: e-mails do procurador-chefe Karim Khan e de outros membros do tribunal teriam sido bloqueados pela Microsoft durante sanções impostas pelos EUA no governo Trump — algo que a empresa nega.

O OpenDesk, criado pelo Centro Alemão para a Soberania Digital (ZenDiS), oferece recursos para e-mail, videoconferência, chat e edição de documentos. O objetivo é garantir autonomia tecnológica e proteção de dados, afastando instituições públicas da dependência de softwares proprietários de empresas americanas.

A decisão do TPI segue uma tendência crescente na União Europeia: governos estão trocando produtos da Microsoft por alternativas open source. A Dinamarca iniciou a migração de todo o seu sistema público para Linux e LibreOffice, enquanto o estado alemão de Eslésvico-Holsácia substituiu o Teams e o Office por soluções abertas em mais de 60 mil estações de trabalho.

Com o fim do suporte ao Windows 10 e a alta nos custos de licenciamento, o movimento europeu marca um novo capítulo: o da soberania digital. A era em que governos dependiam das Big Techs está começando a dar lugar a uma política de tecnologia independente, segura e colaborativa.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários