
O Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, decidiu abandonar o Microsoft Office e adotar o OpenDesk, um pacote de ferramentas de código aberto desenvolvido na Alemanha. A mudança ocorre após um impasse diplomático: e-mails do procurador-chefe Karim Khan e de outros membros do tribunal teriam sido bloqueados pela Microsoft durante sanções impostas pelos EUA no governo Trump — algo que a empresa nega.
O OpenDesk, criado pelo Centro Alemão para a Soberania Digital (ZenDiS), oferece recursos para e-mail, videoconferência, chat e edição de documentos. O objetivo é garantir autonomia tecnológica e proteção de dados, afastando instituições públicas da dependência de softwares proprietários de empresas americanas.
A decisão do TPI segue uma tendência crescente na União Europeia: governos estão trocando produtos da Microsoft por alternativas open source. A Dinamarca iniciou a migração de todo o seu sistema público para Linux e LibreOffice, enquanto o estado alemão de Eslésvico-Holsácia substituiu o Teams e o Office por soluções abertas em mais de 60 mil estações de trabalho.
Com o fim do suporte ao Windows 10 e a alta nos custos de licenciamento, o movimento europeu marca um novo capítulo: o da soberania digital. A era em que governos dependiam das Big Techs está começando a dar lugar a uma política de tecnologia independente, segura e colaborativa.
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