
Em Teresina, a manhã do domingo de 2 de novembro foi marcada por uma movimentação intensa nos cemitérios da zona Norte e zona Leste da capital. Cemitérios como o São José (Vila Operária), o Cemitério Buenos Aires, ambos na zona Norte, e o São Judas Tadeu e o Cemitério Jardim da Ressurreição na zona Leste receberam milhares de visitantes que aproveitaram o feriado para prestar homenagens aos entes queridos. Segundo a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Norte, só na zona Norte a estimativa era de mais de 30 mil pessoas para a data.
Por volta das primeiras horas do dia, as equipes de manutenção e limpeza que trabalharam previamente perceberam o “fluxo constante” de carros, motos e pedestres levando flores, velas e lembranças. No Cemitério São José, a capela e os túmulos recebiam familiares ainda de madrugada.
“Dizem que ele gosta de flores de girassol. Eu trouxe, porque sinto que ele está aqui comigo”, disse Maria Carvalho enquanto acariciava a lápide de seu filho.
No Cemitério Buenos Aires, o ambiente era de silêncio respeitoso interrompido por suspiros, orações baixas e o tilintar de flores sendo colocadas nos túmulos. “É a primeira vez que venho sozinho, depois que minha mãe se foi. É a saudade que me trouxe até aqui”, relatou João Paulo, que carregava uma vela e acendia diante da lápide.
O gestor local confirmou que a iluminação extra será mantida até o fim da tarde para atender à alta visitação.
Na zona Leste, no Cemitério São Judas Tadeu, a movimentação também foi intensa. Famílias reunidas, crianças ajudando a cobrir túmulos com flores plásticas, e idosos que mal conseguiam ficar em pé, mas queriam marcar presença.
“Ela era nossa rocha. Hoje é o momento de acender esta vela para que ela sinta nosso respeito”, afirmou Ana Laura Silva), segurando a mão da neta de 7 anos.
No Cemitério Ressurreição, a sensação era similar: espaços já relativamente escassos, mas ainda lotados de lembranças.
A prefeitura da capital informou que reforçou o policiamento, ampliou o horário de funcionamento dos cemitérios das 6h às 19h, e reforçou serviços de limpeza, capina e conservação para assegurar um ambiente digno e acolhedor. Ainda assim, alguns visitantes reclamaram de filas para entrar, congestionamento nos acessos e poucas vagas de estacionamento próximos aos portões de entrada.
Mais do que flores e velas, o Dia de Finados em 2025 serviu como momento de reflexão sobre a vida, a morte e a memória. Como descreveu um visitante, Lucas Moraes: “Não é só visitar o túmulo — é conversar com quem partiu, é agradecer e pedir força para seguir”.
E assim, entre lágrimas e risos contidos, as tradições foram renovadas.
É também o dia em que se renova o laço entre gerações, entre vivos e mortos, entre acreditar que a morte não apaga o que foi vivido. Nos túmulos de Teresina, nesta data, aflorou a certeza de que a saudade se transforma em presença — ainda que invisível — e que a memória exige presença.
Para muitos, o Dia de Finados já deixou de ser apenas rito religioso — tornou‑se ritual afetivo, cultural, social. E em 2025, em Teresina, nos cemitérios da zona Norte e zona Leste, a tradição mostrou que permanece viva, pulsante, e carregada de significado.
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