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Polícia CRIME E JUSTIÇA

Cláudio Castro enfrenta “equívocos” da Justiça e entra na mira de Alexandre de Moraes

Governador do Rio diz que a polícia está de mãos atadas por causa da ADPF das Favelas e da “indústria do prende e solta”. Após operação histórica, Alexandre de Moraes intima o governo fluminense a se explicar ao STF

31/10/2025 às 12h25 Atualizada em 31/10/2025 às 13h00
Por: Wagner Albuquerque
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Governador do Rio de Janeiro - Foto: Reprodução
Governador do Rio de Janeiro - Foto: Reprodução

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), fez duras críticas às decisões do Judiciário que, segundo ele, enfraqueceram o combate ao crime organizado e fortaleceram o poder das facções. Em entrevista, Castro descreveu o atual cenário da segurança pública como uma “tempestade perfeita”: leis frouxas, decisões judiciais restritivas e uma burocracia que paralisa a ação policial.

“O que está acontecendo é simples: a polícia prende e a Justiça solta”, disse o governador. Ele apontou a ADPF 635 (ADPF das Favelas) como um divisor de águas negativo. “Antes, a polícia podia atuar com presença ostensiva. Agora, só pode entrar se houver algo extraordinário. O pobre perdeu o direito de ter a polícia todo dia. As facções dominaram os territórios.”

Castro também denunciou o vazamento constante de operações por causa das exigências impostas por decisões judiciais: “Cada operação tem que avisar dez órgãos — secretarias, ministérios públicos, defensorias. Claro que vaza! Como não vai vazar? Hoje não existe mais segredo operacional.”

O governador criticou ainda o atual modelo de audiências de custódia, que, segundo ele, transformou o sistema penal numa roleta de impunidade. “O mesmo criminoso é preso 30, 40 vezes e solto em 24 horas. O policial prende e ouve do bandido: ‘me solta aí, amanhã tô de volta’. Isso virou rotina.”

Ele também atacou decisões recentes do STJ que, na prática, reduziram drasticamente as penas de traficantes armados. “Um criminoso com fuzil na mão, que antes pegava 20 ou 30 anos, hoje cumpre sete meses e está de volta às ruas. O crime ganhou e o Estado perdeu.”

Ministro Alexandre de Moraes pede explicações ao governador do Rio de Janeiro após operação policial - Foto: Reprodução

STF x POLICIA

Mas o desdobramento político e jurídico mais forte veio após a operação que deixou dezenas de NARCOTERRORISTAS mortos nos complexos do Alemão e da Penha, no último dia 28 de outubro. Em resposta, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o governador Cláudio Castro preste esclarecimentos formais sobre a ação.

Na decisão, Moraes exigiu um relatório detalhado com informações sobre o número de mortos, feridos e agentes envolvidos, além da justificativa para o uso da força, a presença de ambulâncias, a preservação da cena do crime, e até o uso de câmeras corporais e de viaturas. O ministro ainda agendou uma audiência para o dia 3 de novembro, convocando não apenas o governador, mas também o secretário de Segurança, os comandantes da PM e da Polícia Civil, o diretor da Polícia Técnico-Científica e outras autoridades do estado.

O gesto foi interpretado nos bastidores políticos como um ato de imposição do STF sobre o Executivo estadual. Enquanto Castro defende que o Rio trava uma guerra real contra facções armadas, o Supremo exige relatórios, protocolos e justificativas formais. O contraste é gritante: de um lado, a violência das ruas; do outro, a formalidade dos gabinetes.

No fim das contas, a declaração de Cláudio Castro resume o embate: “A DPF fez o mato crescer. Quando você não corta o mato, o mato domina.” O governador diz isso com a convicção de quem está no meio da guerra — e a ironia de quem precisa pedir permissão pra combatê-la.

Confira trecho da entrevista com o governador do RJ:

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