
A OpenAI divulgou pela primeira vez uma estimativa preocupante: centenas de milhares de usuários do ChatGPT podem mostrar indícios de uma crise psicótica em uma semana típica. O dado foi obtido em parceria com especialistas em saúde mental de vários países, que ajudaram a aprimorar o sistema para identificar sinais de sofrimento psicológico e orientar usuários a buscar ajuda profissional.
Nos últimos meses, relatos de internações e até mortes após interações intensas com a ferramenta chamaram a atenção de médicos e psiquiatras. O fenômeno vem sendo chamado por especialistas de “psicose induzida por IA”, destacando os riscos do apego emocional excessivo ao chatbot e da exposição prolongada a respostas em momentos de fragilidade.
A pesquisa analisou mais de 1,8 mil respostas do modelo em situações críticas, como ideação suicida e risco de psicose. O desempenho do GPT-5 mostrou melhorias em relação ao GPT-4o, com redução de 39% a 52% em respostas inadequadas. Para Johannes Heidecke, líder de segurança da OpenAI, isso aumenta as chances de que pessoas em sofrimento sejam encaminhadas a ajuda profissional com mais rapidez.
Apesar do avanço, a própria empresa reconhece limitações: a amostra é reduzida e depende da interpretação de especialistas, que nem sempre chegaram a um consenso sobre os casos. Ainda assim, a iniciativa é considerada um passo inédito para medir os impactos psicológicos das interações com chatbots avançados.
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