
O Piauí está sitiado pelo crime. O que antes era visto apenas nas capitais agora domina as pequenas cidades, invade os povoados e se infiltra nas comunidades mais pacatas do interior. Assaltos, homicídios, tráfico e execuções se tornaram parte da rotina. O Estado que antes se orgulhava de ser “tranquilo” hoje vive com medo — um medo real, constante e cotidiano.
A operação policial em Sussuapara, onde um homem morreu em confronto com a PM e outros dois foram presos, é apenas um retrato de um sistema de segurança que vive de apagar incêndios. Agem depois da tragédia, quando o sangue já manchou o chão. Não há planejamento, não há prevenção, não há estratégia.
O que vemos é o resultado direto do abandono das políticas públicas de segurança. Faltam efetivo, estrutura, inteligência e compromisso. Delegacias sucateadas, viaturas paradas, policiais desmotivados e criminosos bem armados. Como combater o crime se o Estado é o primeiro a cruzar os braços?
E não se trata apenas de um problema policial. O crime cresce porque as instituições fracassaram. A justiça é lenta, a impunidade é regra e o poder político é omisso. Enquanto o Estado dorme, o crime organiza-se, recruta, domina e mata. A criminalidade se sofisticou — e o governo ainda age como se estivéssemos nos anos 90.
O crime compensa no Brasil. Compensa porque as leis são frouxas, porque a justiça é seletiva e porque o sistema prisional virou escritório do crime. Compensa porque a corrupção anda de mãos dadas com o tráfico, o contrabando e o desvio de verbas públicas. O crime de rua e o crime de colarinho branco bebem da mesma fonte: a omissão do poder.
De prefeitos a desembargadores, de advogados a empresários, a corrupção e o crime caminham lado a lado. Não há fronteiras. O banditismo deixou de ser marginal e se tornou institucional. E enquanto isso, o cidadão honesto, que paga seus impostos e respeita as leis, vive encurralado e desprotegido.
O caso de Sussuapara, em que um suspeito morreu e dois foram capturados, deveria ser exceção — mas virou rotina. É a fotografia de um país onde o crime avança porque o Estado recuou. E o pior: as autoridades fingem não ver, contentando-se com notas de repúdio e discursos vazios.
A raiz do problema está na omissão. Governos investem em propaganda, não em segurança. Falam em cidadania, mas abandonam as periferias. Prometem “tolerância zero”, mas entregam efetividade zero. O resultado está aí: policiais morrendo, criminosos livres e cidadãos trancados em casa.
E para piorar o cenário, a declaração absurda do presidente Lula chocou o Brasil e o mundo: ao afirmar que “os traficantes são vítimas da sociedade”, o chefe de Estado relativizou o crime e passou a mão na cabeça de quem destrói famílias e envenena jovens. Ao defender o traficante, Lula mostrou de que lado está — e justificou, com sua fala, o domínio do crime organizado no país. O Brasil é refém do medo, em parte, porque quem deveria combatê-lo o trata com complacência.
Enquanto o Piauí — e o Brasil — fingem normalidade, as facções se fortalecem, as armas circulam e a violência se multiplica. Não é apenas falta de segurança, é ausência de Estado. O crime não venceu apenas porque é forte, mas porque o poder público desistiu de lutar.
O que resta ao povo é a indignação — e a cobrança. Não há democracia possível onde o cidadão vive sob o domínio do medo. O Brasil precisa decidir de que lado está: do lado da lei ou do lado da covardia. E o Piauí, que já foi sinônimo de paz, não pode se conformar em ser refém da violência.
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