
O trabalho de resgate que comoveu moradores de Gilbués, no sul do Piauí, chegou ao fim nesta quinta-feira (23). O corpo de José Milton, homem que havia sido soterrado enquanto cavava um poço, foi finalmente encontrado após mais de 24 horas de buscas intensas realizadas por equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar.
O acidente aconteceu na tarde de quarta-feira (22), quando a vítima trabalhava em um terreno residencial. Durante a escavação, parte do solo cedeu repentinamente, provocando o desmoronamento do poço, que já tinha cerca de nove metros de profundidade. José Milton não teve tempo de reagir e acabou soterrado sob toneladas de terra.
As buscas foram interrompidas por várias horas durante a madrugada, após os bombeiros identificarem risco de novo desabamento. O terreno instável dificultou o avanço da operação e exigiu a utilização de equipamentos específicos para evitar que outros resgatistas fossem atingidos.
Segundo informações preliminares, as causas do desabamento podem estar relacionadas à fragilidade do solo da região e à ausência de estruturas de contenção durante a escavação. Especialistas explicam que esse tipo de acidente é comum quando o serviço é feito sem acompanhamento técnico adequado ou medidas de segurança.
Durante o resgate, os bombeiros precisaram escavar cuidadosamente para evitar que o solo desmoronasse novamente, usando cordas, escadas e pás hidráulicas. A operação envolveu ainda profissionais da Defesa Civil, que monitoraram a estabilidade do terreno enquanto os trabalhos avançavam.
Após o resgate, o corpo de José Milton foi levado para o Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exames periciais. A Polícia Civil vai abrir inquérito para apurar as circunstâncias do acidente e verificar se houve negligência ou falha de segurança.
Familiares de José Milton acompanharam o resgate à distância, mantendo a esperança de que ele pudesse ser encontrado com vida. O desfecho trágico trouxe comoção para toda a comunidade local, que se mobilizou para apoiar a família durante o período de espera.
A tragédia reacende o alerta sobre a falta de fiscalização em obras informais e o risco que trabalhadores enfrentam ao realizar escavações profundas sem o suporte necessário. Autoridades locais prometem reforçar a conscientização sobre segurança em trabalhos semelhantes.
O caso também levanta questionamentos sobre a necessidade de treinamento e equipamentos de proteção adequados para trabalhadores que realizam escavações. Especialistas lembram que o uso de contenção de paredes, capacetes e monitoramento do solo pode evitar mortes em situações parecidas.
Em Gilbués, a comoção é grande — amigos e familiares lamentam a perda de um homem descrito como trabalhador, humilde e querido na comunidade. O episódio serve de alerta para outros municípios sobre os riscos de atividades manuais profundas realizadas sem orientação técnica, reforçando a importância de medidas preventivas e fiscalização rigorosa.
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