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Polícia DOSSIÊ FALSO

Saiba por que a ex-assessora Lucile Moura foi presa

Ex-assessora de Wellington Dias e influente no governo Rafael Fonteles é alvo da Operação Vice-Cônsul por envolvimento em dossiê falso contra magistrados

22/10/2025 às 12h20 Atualizada em 22/10/2025 às 20h44
Por: Douglas Ferreira
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Lucile Moura - Foto Reprodução
Lucile Moura - Foto Reprodução

A Operação Vice-Cônsul trouxe à tona detalhes surpreendentes sobre um esquema destinado a intimidar magistrados piauienses. Nesta fase da investigação, a Polícia Civil do Piauí prendeu temporariamente Lucile de Souza Moura, ex-assessora próxima de Wellington Dias, e os advogados Flávio Almeida Martins e Flávio Almeida Martins, acusados de participarem de um dossiê falso que buscava coagir juízes e influenciar decisões judiciais.

A prisão de Lucile Moura se justifica, segundo a investigação, por sua participação ativa na elaboração do material apócrifo. Mensagens obtidas pela polícia indicam que a ex-assessora não apenas colaborou com o dossiê, mas também discutiu estratégias de pressão sobre magistrados, mencionando inclusive a tentativa de interceder com um desembargador para favorecer os investigados.

O advogado Juarez Chaves também está no centro das suspeitas, acusado de obstrução das investigações. Ele apresentou à polícia um celular de baixo valor incompatível com seu patrimônio, ocultando o aparelho realmente usado para comunicações relacionadas ao esquema. Tal atitude reforçou a necessidade da prisão temporária para garantir a integridade da investigação.

Flávio Almeida Martins, por sua vez, é apontado como responsável por entregar o dossiê diretamente na mesa de um desembargador, contendo denúncias falsas contra magistrados. A polícia concluiu que o documento foi produzido com apoio de Lucile e Juarez, demonstrando a articulação e coordenação do grupo para pressionar e influenciar o Judiciário.

Um aspecto que chama atenção é a trajetória de Lucile Moura nos governos petistas. Advogada de formação, ela ocupou cargos estratégicos e manteve relação direta com Wellington Dias em seus primeiros mandatos, chegando a atuar na Secretaria de Governo do atual governador Rafael Fonteles. Sua experiência e influência política levantam questões sobre o uso potencial dessa rede de contatos em benefício da quadrilha, facilitando o acesso a informações e estratégias para tentar intimidar magistrados.

Advogados Flávio Almeida Martins e Flávio Almeida Martins - Foto: Reprodução

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a presença de Lucile no núcleo duro do governo petista pode ter sido decisiva para que o grupo se sentisse confiante em arquitetar a fabricação de provas e o dossiê falso. Sua atuação demonstra como figuras políticas experientes podem, eventualmente, ser cooptadas por interesses ilícitos, mesmo com formação jurídica e conhecimento das implicações criminais de tais atos.

O delegado Tales Gomes, da DEOP, destacou que o grupo tinha intenção explícita de coagir e manipular decisões judiciais, utilizando informações falsas para prejudicar a atuação de magistrados. A Justiça também confirmou que as prisões temporárias visam impedir que novas tentativas de obstrução do processo ocorram durante a investigação.

A Operação Vice-Cônsul revela um cenário preocupante de interferência política no Judiciário e destaca a importância da Polícia Civil e do Ministério Público no combate a tentativas de intimidação. Agora, a sociedade aguarda desdobramentos sobre possíveis novos envolvidos e a responsabilização completa dos autores deste esquema que colocou em risco a integridade do Tribunal de Justiça do Piauí.

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