
De todas as declarações absurdas já proferidas pelo líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, a mais recente conseguiu superar todas as anteriores. Durante o Congresso Mundial em Defesa da Mãe Terra, realizado em Caracas, o dirigente afirmou que brigadas de militantes latino-americanos estão se organizando para ir à Venezuela apoiar o regime de Nicolás Maduro diante da tensão com os Estados Unidos. A fala, além de inconsequente, beira o delírio ideológico e flerta perigosamente com a ilegalidade.
Afinal, que brigadas são essas? O MST, oficialmente um movimento social voltado à reforma agrária, possui agora um braço internacionalista com pretensões de atuar em zonas de conflito? A proposta soa como um improvisado exército vermelho latino-americano, formado por civis sem preparo militar, prontos para servir a um governo estrangeiro. A afirmação, embora estapafúrdia, levanta questões sérias sobre segurança nacional e soberania.
O mais estarrecedor é o silêncio das instituições brasileiras. Nenhum órgão oficial — nem o Ministério da Defesa, nem o Itamaraty, nem o Supremo Tribunal Federal — se pronunciou sobre o caso. Nenhum pedido de esclarecimento foi feito a Stédile. Afinal, o que aconteceria se um outro grupo político brasileiro anunciasse o envio de militantes a um país em conflito? Certamente a reação seria imediata e punitiva.
Enquanto o MST tenta disfarçar a fala do seu líder dizendo que as “brigadas” têm fins agrícolas e humanitários, Stédile foi claro: os militantes estariam dispostos a “se colocar à disposição do governo e do povo venezuelano” em caso de invasão norte-americana. Ou seja, uma declaração de alinhamento político e potencial apoio logístico a um regime autoritário — o mesmo que é acusado pela ONU de violações graves de direitos humanos.
A conivência do governo brasileiro com movimentos que agem fora da lei não é novidade, mas o que assusta é o grau de naturalização. Stédile fala em nome de um grupo que recebe recursos públicos, ocupa terras, desafia o Estado de Direito e ainda se permite ameaçar enviar militantes a outro país. E nada acontece. Nenhuma advertência, nenhuma investigação, nenhum inquérito. Apenas o silêncio cúmplice das autoridades.
Essa situação escancara o grau de aparelhamento e impunidade que atinge certos setores da sociedade brasileira. Quando o Estado escolhe quem pode e quem não pode ser investigado, já não há mais democracia plena — há uma democracia seletiva, com blindagem ideológica para os aliados do poder.
Não é de hoje que o MST atua como um braço político informal do PT, participando de campanhas, ocupando cargos em ministérios e mantendo influência direta em políticas públicas. A diferença é que agora, sob o manto do “internacionalismo popular”, o movimento extrapola fronteiras e adota um discurso de intervenção ideológica na América Latina.
Enquanto o país enfrenta crise econômica, inflação e desemprego, lideranças como Stédile se preocupam em montar brigadas para ajudar ditaduras estrangeiras. É a inversão total de prioridades de um governo que se diz popular, mas que se distancia cada vez mais da realidade do povo.
Se a fala de Stédile fosse apenas um delírio pessoal, seria irrelevante. Mas quando parte de alguém com trânsito livre em ministérios e influência direta sobre políticas de Estado, torna-se um alerta grave para a democracia e para a soberania brasileira. O que está em jogo não é a Venezuela, é o Brasil e sua capacidade de se proteger de quem confunde ideologia com patriotismo.
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