
Não entra na cabeça de um cidadão minimamente esclarecido que uma empresa com monopólio de mercado, como os Correios, dê prejuízo bilionário. E mais absurdo ainda: isso acontece logo após anos de lucro, no governo anterior. Não é uma questão de ideologia, de direita ou esquerda — é de bom senso.
Definitivamente, algo de errado não está certo nessa história.
Não se trata apenas de corrupção, mas de falta de gestão. Ou melhor: de gestão atrapalhada, inchada e politicamente aparelhada.
O governo que até semana passada tentava aprovar um pacotão de impostos para arrecadar R$ 17 bilhões e cobrir o rombo fiscal, agora propõe um empréstimo de R$ 20 bilhões para salvar uma única empresa pública.
Ou seja: o empréstimo para uma estatal é maior que a receita esperada para tapar o buraco do país inteiro.
Que país é este? Que gestão é essa? Que governo é esse?
Ou são loucos eles, ou somos todos nós.
Enquanto isso, a mídia tradicional se cala. Fecha os olhos, tapa os ouvidos e abafa os fatos. É cúmplice, conivente e conveniente.
Mas há quem ainda pense fora da bolha, quem se recuse a aceitar essa loucura institucionalizada como algo “normal”.
Em entrevista exclusiva ao Gazeta Hora1, o empresário João Vicente Claudino resumiu o drama com clareza:
“É muito difícil equilibrar as contas públicas numa situação como essa. O Brasil, além de ser dono de dezenas de estatais, é acionista de várias outras. A maioria é ineficiente, usada para abrigar aliados políticos, e não para gerar resultados. Falta gestão, meta e responsabilidade.”
Falando sobre os Correios, JVC foi direto:
“Uma empresa pública precisa ser sustentável. Salvo exceções como a Embrapa ou a Fiocruz, que cumprem missões essenciais, o restante deveria dar lucro. Mas ver os Correios pedindo R$ 20 bilhões em empréstimos é uma aberração. Esse valor é maior que a arrecadação de toda a MP rejeitada que buscava R$ 17 bilhões em novos impostos. É uma inversão total de lógica.”
E concluiu:
“O Brasil precisa diminuir o tamanho do Estado. Hoje vivemos sob um Estado antropofágico, que devora tudo o que arrecada e ainda pede mais. Se não mudarmos essa mentalidade, o futuro do país estará seriamente comprometido.”
O caso dos Correios é simbólico: uma empresa com monopólio legal, que deveria ser exemplo de eficiência, hoje vive de pedir empréstimos, vender prédios e implorar socorro ao Tesouro. Tudo isso para manter cargos, indicações políticas e estruturas ineficazes.
Enquanto isso, o cidadão comum paga a conta — mais impostos, menos serviços e zero retorno. O Estado vive de empréstimos, e o povo vive de esperança.
Essa equação não fecha.
E quando o bom senso some da política, o caos fiscal vira rotina.Mas uma coisa é certa: nem todos estão dormindo diante dessa loucura que não convence mais ninguém.
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