
A cada escândalo revelado, o ex-prefeito de Teresina, Dr. José Pessoa Leal, afirma total desconhecimento sobre o que ele chama de “danação” e “traquinagem” de seus assessores. Desta vez, o caso envolve Suelene da Cruz Pessoa, conhecida como Sol Pessoa, uma das figuras mais influentes do seu governo, presa durante a Operação Gabinete de Ouro, que investiga desvio de recursos públicos.
Sol era tratada como uma espécie de eminência parda no Palácio da Cidade. Exercia poder e influência sobre decisões estratégicas da gestão. Assim, é difícil imaginar que suas ações e decisões fossem desconhecidas do então prefeito. Afinal, como chefe do Executivo municipal, Dr. Pessoa tinha a obrigação e o dever de fiscalizar, cobrar resultados e acompanhar o destino dos recursos públicos.
Negar parentesco com investigados pode ser conveniente, mas negar a existência de corrupção diante de provas robustas e bloqueio de mais de R$ 70 milhões em bens e dinheiro é algo que desafia a credulidade. A Polícia Civil, por meio do DECCOR, não trabalha com suposições, e as investigações apontam fortes indícios de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.
Vale lembrar que outros auxiliares próximos de Dr. Pessoa também foram presos ou investigados, como o ex-superintendente da Strans, Bruno Pessoa, acusado de participar de um esquema criminoso que liberou mais de duas mil multas de trânsito. O ex-prefeito nega envolvimento, mas o fato de “não saber de nada” reforça a imagem de omissão e conivência com a corrupção.
As investigações, no entanto, não pararam. Fontes ligadas ao caso revelam que novas prisões podem ocorrer a qualquer momento. Pessoas muito próximas a Dr. Pessoa, como ex-secretários municipais, assessores e até vereadores e ex-vereadores, estão no radar da Polícia Civil e do Ministério Público, que seguem rastreando contratos suspeitos, movimentações financeiras e possíveis conexões com os desvios já identificados.
Em nota, Dr. Pessoa afirmou desconhecer qualquer irregularidade, garantindo que todos os contratos foram realizados de forma legal e com acompanhamento dos órgãos competentes. Reiterou ainda seu compromisso com a transparência, a probidade e o respeito ao erário público — valores que, segundo ele, sempre pautaram sua atuação.
Contudo, negar corrupção é o mesmo que acusar a polícia, os delegados e os investigadores de mentirem, de forjarem provas e inventarem crimes que não existiram. É dizer que as operações, as apreensões e os relatórios técnicos são meras “ilações”. Uma narrativa perigosa que tenta transformar fatos concretos em ficção, e criminosos em vítimas.
Ao adotar esse discurso, Dr. Pessoa não apenas se afasta da verdade, mas coloca sob suspeita o trabalho de instituições sérias, como o Ministério Público e a Polícia Civil, que vêm atuando de forma técnica e imparcial. A sociedade teresinense quer respostas, não justificativas vagas nem teorias de perseguição política.
Alguém precisa avisar o ex-prefeito Dr. Pessoa que os problemas com sua gestão vão muito além das operações policiais. O Tribunal de Contas do Estado (TCE/PI) aprovou as contas de 2021 apenas com ressalvas, mas reprovou as contas dos exercícios de 2022 e 2023. E a situação é ainda mais grave: a Câmara Municipal de Teresina também reprovou os três primeiros anos de sua administração. Ora, reprovar por quê? Porque as contas não fecharam, porque há inconsistências, ausência de comprovação de despesas e indícios de irregularidades graves. É o retrato de uma gestão marcada por descontrole fiscal e pela falta de transparência.
A situação se agravou com a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal, criada para apurar o rombo bilionário nas contas da Prefeitura durante sua gestão. A CPI já aprovou a convocação de Dr. Pessoa, que será obrigado a prestar esclarecimentos diante dos vereadores — muitos deles, inclusive, ex-auxiliares e aliados diretos de sua administração. Será, sem dúvida, um teste decisivo para quem tanto disse “não saber de nada”.
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