
Desde que o conflito entre Israel e o Hamas reacendeu o horror no Oriente Médio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se tornado um dos chefes de Estado mais vocais em defesa da “causa palestina”. Mas, no embalo dos discursos inflamados, Lula parece ter cruzado a linha tênue entre a crítica à guerra e o apoio retórico a um grupo terrorista reconhecido internacionalmente.
De comparações de Israel à Alemanha nazista a acusações formais de “genocídio”, o presidente brasileiro adotou uma retórica que ecoa — e agrada — ao próprio Hamas. Não por acaso, o grupo publicou comunicados elogiando suas declarações e o chamando de “lutador pela liberdade”.
O Itamaraty, tradicionalmente discreto e técnico, foi arrastado para a arena ideológica. Sob Lula, o Brasil passou a divulgar notas oficiais condenando Israel por “crimes de guerra”, enquanto manteve silêncio sobre os ataques terroristas que vitimaram mais de mil civis israelenses.
Essa postura rendeu aplausos em Caracas, Havana e Bogotá — e desconforto nas capitais democráticas. Países aliados tradicionais, como Estados Unidos, França e Alemanha, viram com espanto a guinada do governo brasileiro, que parece se alinhar cada vez mais a regimes autoritários e movimentos radicais.
Em fevereiro de 2024, o Hamas agradeceu publicamente as palavras de Lula que compararam as operações israelenses ao Holocausto de Hitler. O gesto foi celebrado pelo grupo terrorista como “corajoso”.
Mas a consequência foi imediata: Israel declarou o presidente brasileiro “persona non grata”, um gesto diplomático raríssimo que evidencia o abismo aberto entre os dois países.
A pergunta que ecoa é inevitável: desde quando um presidente do Brasil deve receber elogios de terroristas e reprimendas de uma nação democrática?
Lula não apenas se colocou como voz crítica de Israel — ele passou a legitimar a narrativa do Hamas, que tenta justificar o massacre de civis como “resistência legítima”. Ao fazer isso, o Brasil arrisca sua credibilidade internacional e desonra uma tradição diplomática que sempre buscou a paz com neutralidade e prudência.
Nenhum líder verdadeiramente comprometido com a paz pode escolher um lado quando ambos praticam atrocidades.
Lula, porém, nunca escondeu sua predileção pelo Hamas. Evita chamar o grupo de terrorista, repete o discurso de “genocídio” e se cala diante dos sequestros e execuções promovidos pelos militantes.
Em vez de mediar, o Brasil passou a ser visto como advogado de uma das partes — e não da paz.
Enquanto o governo brasileiro perde espaço entre democracias consolidadas, ganha aplausos de ditaduras e facções extremistas.
O Hamas, a Venezuela de Maduro e a Colômbia de Petro formam o coro que exalta Lula como símbolo da “resistência anti-imperialista”.
Mas no tabuleiro da geopolítica, ser celebrado pelos tiranos nunca foi sinal de virtude — e sim de cumplicidade.
A retórica do presidente pode render aplausos ideológicos, mas custa caro em termos de imagem e coerência.
Lula não precisa apoiar Israel cegamente — mas precisa, sim, condenar o terrorismo com a mesma força com que acusa o “genocídio”.
Ao escolher o silêncio diante das atrocidades do Hamas, o governo brasileiro parece confundir empatia com conivência, e justiça com militância.
No fim das contas, a história julgará não apenas os atos de guerra, mas também os discursos.
O de Lula ficará registrado como o de um presidente que, em nome de uma causa, rompeu o equilíbrio moral, isolou o Brasil no cenário internacional e deu voz — ainda que indiretamente — àqueles que espalham terror em nome da política.
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