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Economia CARGA TRIBUTÁRIA

Ser honesto no Brasil custa caro demais!

Ser honesto no Brasil custa caro demais!

09/10/2025 às 10h43 Atualizada em 10/10/2025 às 09h21
Por: Douglas Ferreira
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O Brasil possui uma carga tributária absurda - Foto: Reprodução
O Brasil possui uma carga tributária absurda - Foto: Reprodução

Nesta quarta-feira (8), estive com dois grandes empresários do Piauí. Daqueles que começaram literalmente do nada, que lutaram com as próprias mãos para construir cada conquista. Um deles, em especial, é o retrato do empreendedor raiz: enfrentou a pobreza, o preconceito e as dificuldades de um país que parece não gostar de quem trabalha. É o tipo de história que inspira, porque mostra que é possível vencer com honestidade, mas também escancara o quanto o Brasil é cruel com quem tenta fazer o certo.

Durante a conversa, ele me disse uma frase que resume muito do sentimento de quem empreende neste país:

É difícil ser um empresário honesto no Brasil!

Não foi dita com revolta, mas com uma mistura de cansaço e resignação. E ele tem razão. Ser empresário aqui é acordar cedo, dormir tarde, pagar imposto em cima de imposto e ainda correr o risco de ser tratado como criminoso se algo sair do lugar. É viver tentando sobreviver num sistema que pune quem quer fazer o certo e recompensa quem vive de atalhos.

Ele contou que, para chegar onde está, enfrentou uma carga tributária absurda, juros altos e uma burocracia que mais parece uma armadilha. Disse que ser honesto custa caro porque, no Brasil, quem tenta andar dentro da lei gasta mais com contador, advogado, consultor e uma infinidade de exigências criadas pelo próprio Estado. E mesmo assim, vive sob constante ameaça de multas, fiscalizações abusivas e regras que mudam a todo instante.

O que mais revolta é que o empresário brasileiro não pede favores, apenas quer trabalhar em paz. Quer pagar o que é justo, ter previsibilidade, poder planejar o futuro. Mas o que encontra é um governo que, em vez de ajudar, cria obstáculos. Um governo que não incentiva, apenas cobra. E quando o empreendedor tropeça, em vez de estender a mão, vem com mais imposto, mais taxa, mais papelada.

Empreender no Brasil virou quase um ato de resistência. O empresário não é visto como gerador de riqueza, mas como vilão. E o pior: é tratado como se fosse culpado por tentar prosperar. Muitos desistem, outros recorrem à informalidade. E quem insiste em seguir o caminho correto paga um preço alto, porque, como ele mesmo disse: No Brasil, o sucesso honesto incomoda.

E o cenário recente só piora. Desde o início do mandato, o governo Lula já anunciou 24 novos impostos ou aumentos de tributos, o que dá, em média, um por mês. O último foi o reajuste do IOF, o que reacendeu o apelido de “Taxad” para o ministro Fernando Haddad. É um pacote atrás do outro, sempre com a justificativa de “equilibrar as contas”, mas o equilíbrio nunca chega — e quem paga a conta é sempre o mesmo: o cidadão e o empresário.

Enquanto isso, o presidente Lula afirmou recentemente que, para o país dar certo, é preciso garantir que muitos tenham pouco dinheiro”. Uma declaração que escancara uma lógica perversa: a de que o sucesso individual é um problema. Como esperar desenvolvimento se o próprio governo desestimula quem quer crescer? É a velha mentalidade de quem prefere ver todos iguais — mesmo que igualmente pobres.

O resultado disso é visível. Empresas fechando as portas, outras recorrendo à recuperação judicial, empregos sendo perdidos e a economia travada. É um ciclo de sufocamento, onde a criatividade e a inovação são substituídas pelo medo e pela sobrevivência. E quem resiste, resiste por amor ao que faz, não por apoio estatal.

O mais triste é que o Brasil tem tudo para ser uma potência empreendedora. Temos talento, criatividade, vontade e um povo trabalhador. Mas o Estado, em vez de ser parceiro, se transforma em inimigo. É como se o governo olhasse para o empresário e dissesse: “Você só existe para me sustentar”. E quando o caixa aperta, a solução é sempre a mesma: aumentar impostos, nunca cortar gastos.

No fim das contas, quem gera emprego, paga salários e movimenta a economia continua sendo o vilão da história. E, mesmo assim, esses empresários não desistem. Continuam acreditando, criando, produzindo — mesmo que o sistema insista em empurrá-los para baixo.

Por isso, quando aquele empresário me disse que “é difícil ser honesto no Brasil”, eu entendi que ele não falava só por ele. Falava por milhões que lutam todos os dias para fazer o certo em um país que parece não querer que isso aconteça.

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