
O número de pessoas que trabalham em aplicativos de transporte e entrega explodiu no Brasil na última década. Entre 2015 e 2025, enquanto a população ocupada cresceu cerca de 10%, os trabalhadores por aplicativos aumentaram 170%, passando de 770 mil para 2,1 milhões, segundo dados do Banco Central. O BC afirma que, sem essas plataformas, a taxa de desemprego no país seria até 1,2 ponto percentual mais alta.
Apesar do impacto positivo nos indicadores de ocupação, o crescimento do setor levanta preocupações. Relatórios de instituições como o Ipea e o Fairwork Brasil apontam que o modelo de trabalho mediado por aplicativos ampliou jornadas longas, reduziu contribuições à previdência e derrubou a renda média dos motoristas e entregadores. Em 2012, por exemplo, a renda média de motoristas autônomos girava em torno de R$ 3,1 mil; em 2022, caiu para menos de R$ 2,4 mil.
Outro dado que mostra a fragilidade do setor é a queda na contribuição previdenciária. Em 2015, quase metade dos motoristas de passageiros contribuía para o INSS. Sete anos depois, esse percentual despencou para menos de 25%. Para alguns pesquisadores, esse cenário reforça o debate sobre a necessidade de regulamentação, garantindo remuneração justa e condições mínimas de trabalho.
Mesmo representando apenas 2,1% da população ocupada, os aplicativos já são relevantes para a economia. Desde 2020, o transporte por aplicativos entrou no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado para medir a inflação. Segundo o Banco Central, o fenômeno trouxe mudanças estruturais para o mercado de trabalho brasileiro, mas o desafio agora é equilibrar geração de emprego com direitos e proteção social.
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