
O diretor do Instagram, Adam Mosseri, voltou a negar nesta semana que o aplicativo utilize os microfones dos celulares para ouvir usuários e direcionar anúncios. Segundo ele, essa prática seria “uma violação grosseira de privacidade” e, tecnicamente, impossível de ser sustentada, já que consumiria rapidamente a bateria dos aparelhos.
Apesar da negativa, a própria Meta anunciou no mesmo dia que passará a usar conversas feitas com a Meta AI — presente no WhatsApp, Instagram, Messenger e Facebook — para segmentar publicidade. Ou seja: oficialmente, os chats com a inteligência artificial serão fonte de dados para campanhas de marketing a partir de dezembro.
A empresa promete que informações sobre religião, política, saúde ou sexualidade não serão utilizadas. Ainda assim, não haverá opção de recusa: quem interagir com a Meta AI terá suas mensagens integradas ao sistema de anúncios. A medida não valerá na União Europeia, Reino Unido e Coreia do Sul, onde legislações de proteção de dados são mais rígidas.
Enquanto Mosseri pede que usuários acreditem que a rede não usa microfones, críticos apontam que o movimento reforça a desconfiança: mesmo sem gravações de voz, a Meta já coleta dados em escala tão ampla que consegue prever desejos de consumo antes mesmo de uma busca no navegador. Para muitos, a sensação de estar sendo constantemente vigiado só aumenta.
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