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Feminicídio em Simões: tragédia abala comunidade após assassinato e morte do suspeito

Raimunda José de Lima Moura, conhecida como Cleonice, foi assassinada a pauladas no domingo (28). Horas depois, o principal suspeito, Antônio Cipriano de Sousa, foi encontrado morto em Curral Novo do Piauí. O caso segue sob investigação da Polícia Civil

29/09/2025 às 07h55 Atualizada em 29/09/2025 às 08h36
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações Cidades na Net
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Cleonice foi encontra morta em um bairro de Simões - Foto: Reprodução
Cleonice foi encontra morta em um bairro de Simões - Foto: Reprodução

A manhã de domingo, 28 de setembro, amanheceu carregada de tristeza e choque em Simões, no Sul do Piauí. O que deveria ser mais um dia comum na pequena cidade se transformou em uma tragédia de proporções devastadoras. A notícia de que Raimunda José de Lima Moura, conhecida carinhosamente como Cleonice, de 49 anos, havia sido assassinada dentro de uma residência no bairro Bela Vista espalhou-se rapidamente, deixando familiares, vizinhos e toda a comunidade consternados.

Segundo relatos da Polícia Militar, foi uma familiar da vítima quem procurou a Unidade Integrada de Segurança Pública (UISP) nas primeiras horas do dia para denunciar que Cleonice estava morta. Quando os policiais chegaram ao local, encontraram a mulher deitada em uma cama, já sem vida, com a cabeça dilacerada por fortes golpes de um objeto contundente. A perícia confirmou que ela havia sido assassinada a pauladas, num crime de extrema brutalidade.

Cleonice vivia no Sítio Chapada, zona rural de Simões, junto das filhas. Familiares relataram que, na noite anterior, o companheiro da vítima, identificado como Antônio Cipriano de Sousa, de 75 anos, foi buscá-la para passar a noite fora. Como ela não retornou na manhã seguinte, os parentes estranharam e, após diversas tentativas de contato sem resposta, foram até a residência onde ela estaria. A cena encontrada foi descrita como de horror e desespero.

A suspeita recaiu imediatamente sobre Antônio Cipriano, com quem Cleonice mantinha um relacionamento. Para os familiares, a relação sempre despertou apreensão, mas ninguém poderia imaginar que terminaria em uma tragédia tão cruel. O feminicídio deixou não apenas as filhas, mas toda a comunidade em estado de choque, diante de mais um episódio de violência contra a mulher.

Horas depois do crime, o caso ganhou novos contornos. Por volta das 17h57, o comandante da PM em Simões, capitão Sobrinho, informou que Antônio Cipriano havia sido encontrado morto em uma residência no povoado Quilombo, em Curral Novo do Piauí. As primeiras informações apontam que ele teria ingerido gasolina para tirar a própria vida. A perícia criminal foi novamente acionada para confirmar as circunstâncias da morte.

Já o corpo do suspeito foi encontrado na zona rural de Curral Novo - Foto: Reprodução

Para a Polícia Civil, o trabalho agora é reunir provas e entender a motivação do feminicídio. A delegada Thainá Teixeira, titular da Delegacia de Polícia Civil de Paulistana, informou que o inquérito vai apurar em detalhes a relação entre vítima e suspeito, bem como se havia histórico de violência anterior. A tragédia, segundo ela, expõe a urgência de reforçar as políticas de prevenção à violência doméstica no interior do estado.

A vizinhança relata que a madrugada parecia tranquila e que ninguém ouviu pedidos de socorro ou barulhos de agressão. O silêncio que envolveu o crime só foi rompido na manhã seguinte com os gritos desesperados de familiares ao encontrarem o corpo de Cleonice. Para muitos moradores, a tragédia reforça o sentimento de insegurança e a percepção de que o feminicídio se tornou uma chaga cada vez mais frequente e difícil de conter.

O feminicídio de Cleonice soma-se à triste estatística nacional, que não para de crescer, e mostra como a violência contra mulheres continua sendo uma realidade brutal, mesmo em pequenas cidades. A tragédia em Simões não apenas arrancou a vida de uma mulher, mas também expôs o drama de uma família destruída e uma comunidade inteira mergulhada na dor e no luto. Entre perguntas sem resposta e um futuro marcado pela ausência, o clamor é um só: que esse não seja apenas mais um número, mas um alerta urgente contra a violência que insiste em calar tantas vozes femininas no Brasil.

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