
A Polícia Civil prendeu neste sábado (27) Pablo Kelvisley Sousa Silva, de 19 anos, conhecido pelo apelido de “Diabão”, suspeito de assassinar o barbeiro José Vitor Carvalho de Sousa, de 25 anos, durante uma tentativa de assalto no bairro Monte Horebe, zona Sudeste de Teresina. O crime ocorreu na noite de 26 de agosto e deixou a comunidade em choque.
Naquela noite, José Vitor acompanhava o tio, que passava mal, quando foi surpreendido por assaltantes no cruzamento das ruas Constantino Pereira e das Palmeiras. Em uma possível reação para proteger o parente, acabou sendo baleado na cabeça. O jovem barbeiro foi socorrido e levado ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde lutou pela vida por dois dias, mas não resistiu.
Conhecido como “Diabão”, Pablo Kelvisley já tem histórico marcado pela violência. Segundo a Polícia Civil, ele está envolvido em pelo menos dois homicídios anteriores e responde a um mandado de prisão em aberto expedido pela Central de Inquéritos do Tribunal de Justiça do Piauí. Além disso, integra uma facção criminosa de atuação nacional, com ramificações dentro e fora de presídios.
Após o crime, o suspeito fugiu para São Miguel do Tocantins (TO), a 627 km de Teresina, numa tentativa de escapar da Justiça.
A captura foi resultado de uma operação integrada entre a Polícia Civil do Piauí, o 9º Batalhão da Polícia Militar e o Comando de Policiamento Urbano do Tocantins. Pablo foi localizado em uma residência e conduzido à 3ª Central de Atendimento da Polícia Civil em Araguatins. Ele deve ser recambiado nos próximos dias para o Piauí, onde responderá por latrocínio (roubo seguido de morte).
O delegado Bruno Ursulino, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), não descarta a participação de outros criminosos na morte de José Vitor. A linha principal de investigação segue sendo latrocínio, mas a possibilidade de execução também é analisada, já que outros homicídios ocorridos na mesma região estariam ligados ao grupo de “Diabão”.
O caso expõe mais uma vez a escalada da violência em Teresina e o sentimento de impunidade que alimenta a ousadia de criminosos. José Vitor não foi morto em um “acidente de ocasião”: foi vítima de um sistema em que facções recrutam jovens, espalham terror e fragilizam comunidades inteiras.
Enquanto famílias choram seus mortos, a população questiona: até quando criminosos de “alta periculosidade”, com mandados em aberto e histórico de homicídios, continuarão circulando livremente? A prisão de “Diabão” é apenas um passo — o desafio real é desmontar as engrenagens que permitem que um barbeiro, em plena noite de agosto, seja executado na esquina de sua própria vizinhança.
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