
A cada investigação, um novo escândalo se revela e fica evidente: parte do sindicalismo ligado à defesa de aposentados e pensionistas do INSS se transformou em máquina criminosa. O caso da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) é apenas um retrato de um esquema bilionário que drena recursos de viúvas, idosos e trabalhadores pobres.
O episódio mais recente envolve Silas da Costa Vaz, secretário da Conafer. Morador da periferia de Brasília, que há poucos anos recebia auxílio emergencial, ele agora aparece como “proprietário” de aeronaves avaliadas em mais de R$ 3 milhões. Silas, porém, afirma nunca ter comprado avião e sequer consegue explicar como sua assinatura foi parar nos contratos de transação. Indícios claros de que teria sido usado como laranja para ocultar os verdadeiros beneficiários.
Os documentos revelam que as aeronaves saíram das mãos de figuras ligadas à própria Conafer e a uma ONG parceira, o Instituto Terra e Trabalho (ITT), abastecido por emendas parlamentares. Nesse vai e vem de transações superfaturadas, sobram pistas de lavagem de dinheiro e sobram vítimas: os aposentados e pensionistas que tiveram descontos ilegais em seus benefícios.
O caso também expôs conexões políticas. O deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), considerado porta-voz da Conafer, destinou milhões em emendas ao ITT, que posteriormente comprou aeronaves e manteve negócios com aliados do esquema. O dinheiro, que deveria servir para capacitar agricultores e melhorar a vida no campo, terminou financiando operações fraudulentas.
Segundo relatório da Polícia Federal, empresas ligadas a dirigentes e familiares da Conafer receberam contratos simulados, num verdadeiro teatro de licitações fraudadas. O objetivo era claro: dispersar recursos públicos e lavá-los por meio de entidades de fachada.
O caso da Conafer é apenas a ponta de um iceberg. Estima-se que a entidade tenha movimentado mais de R$ 688 milhões desde 2019. Valores que deveriam beneficiar trabalhadores rurais e indígenas, mas que caíram em redes criminosas de corrupção, superfaturamento e enriquecimento ilícito.
Não por acaso, a Conafer está na mira da CPMI do INSS, que já aprovou quebras de sigilo bancário, convocações e acesso a inquéritos. A cada passo, o esquema se mostra mais robusto, mais articulado e mais cruel — porque se sustenta justamente no roubo de quem mais precisa.
A pergunta que fica é: até quando aposentados e pensionistas do INSS serão tratados como fonte de renda para facções travestidas de sindicatos? A Conafer pode ser apenas um dos nomes. Mas o escândalo revela que o sistema precisa de uma limpeza profunda — ou continuará sendo o maior inimigo dos velhinhos que deveria proteger.
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