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Polícia OPERAÇÃO REJEITO

Delegado da PF e ex-diretor de confiança de Lula é preso por corrupção bilionária na mineração

Rodrigo de Melo Teixeira, que já ocupou cargos estratégicos no governo Lula, é acusado de integrar organização criminosa responsável por desviar R$ 1,5 bilhão e fraudar licenças ambientais

17/09/2025 às 12h51
Por: Douglas Ferreira
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O caso de Rodrigo de Melo Teixeira demonstra como a combinação de poder institucional e oportunidades de corrupção pode gerar danos bilionários e impactos ambientais graves - Foto: Reprodução
O caso de Rodrigo de Melo Teixeira demonstra como a combinação de poder institucional e oportunidades de corrupção pode gerar danos bilionários e impactos ambientais graves - Foto: Reprodução

O ex-diretor da Polícia Federal Rodrigo de Melo Teixeira foi preso nesta quarta-feira (17/9) em uma operação que investiga corrupção bilionária e crimes ambientais no setor de mineração em Minas Gerais. Nomeado ao menos duas vezes para cargos estratégicos no governo Lula, Teixeira ocupava atualmente o cargo de diretor de Administração e Finanças no Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) e já havia sido o terceiro na hierarquia da PF, como diretor de Polícia Administrativa.

Segundo as investigações, Rodrigo de Melo Teixeira utilizava sua posição para atuar como gestor oculto de empresas de mineração ligadas a empresários investigados pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Ele é suspeito de facilitar autorizações e licenças ambientais fraudulentas, permitir exploração irregular de minérios, inclusive em áreas de preservação, e participar de um esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 1,5 bilhão, com potencial econômico total superior a R$ 18 bilhões.

A Operação Rejeito, conduzida pela PF e CGU, cumpriu 22 mandados de prisão preventiva, além de 79 ordens de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Também foram determinadas suspensões de atividades de empresas suspeitas e bloqueio de bens. Segundo as autoridades, o grupo atuava para neutralizar ações do Estado e monitorava autoridades, dificultando investigações e obtendo vantagens ilegítimas.

Rodrigo de Melo Teixeira ingressou na Polícia Federal em 1999 e ocupou cargos de destaque em Minas Gerais, incluindo superintendente da PF, corregedor regional e chefe de delegacias especializadas. Além disso, atuou em governos estaduais e municipais, como secretário-adjunto da Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais, presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e secretário municipal de Segurança de Belo Horizonte. No governo federal, foi nomeado diretor de Polícia Administrativa da PF em 2023, cargo de grande confiança.

O delegado é acusado de usar empresas de fachada para ocultar sua participação direta em negócios de mineração, explorando a posição de poder que detinha para interferir em investigações e influenciar processos internos. A rede de atuação, segundo a PF, envolve servidores de órgãos federais e estaduais, como ANM, Iphan, FEAM e Semad-MG, criando um esquema que permitia autorizações ambientais fraudulentas e exploração irregular de minérios.

A ligação de Teixeira com o PT é evidenciada por suas nomeações durante o governo Lula e por cargos ocupados em administrações estaduais petistas, como as gestões de Fernando Pimentel em Minas Gerais. No entanto, não há indícios de participação direta da cúpula do partido nas ações investigadas; as acusações se concentram no uso do cargo para benefício próprio e conluio com empresários.

O caso de Rodrigo de Melo Teixeira demonstra como a combinação de poder institucional e oportunidades de corrupção pode gerar danos bilionários e impactos ambientais graves. Ele transformou cargos estratégicos da PF e do governo em instrumentos para o enriquecimento ilícito, expondo falhas de fiscalização e controle em órgãos de segurança e meio ambiente.

Se confirmadas as acusações, a prisão de Teixeira não apenas evidencia a prática de crimes graves, mas também sinaliza a necessidade de revisão e fortalecimento de mecanismos de controle e integridade dentro das instituições públicas, para impedir que agentes de alta confiança transformem o Estado em ferramenta de interesses privados.

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