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Perseguição, exagero ou justiça? O Brasil dividido sobre condenação de Bolsonaro

Pesquisa Genial/Quaest revela que quase metade da população vê perseguição política no julgamento do ex-presidente, enquanto maioria considera a pena de 27 anos desproporcional

17/09/2025 às 08h19
Por: Douglas Ferreira
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Para 47% da população brasileira Bolsonaro está sendo perseguido - Foto: Reprodução
Para 47% da população brasileira Bolsonaro está sendo perseguido - Foto: Reprodução

A prisão e a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão continuam a incendiar o debate nacional e expõem uma ferida aberta na democracia brasileira. O que deveria ser um veredito jurídico virou, na prática, um divisor político: metade do Brasil vê perseguição, a outra metade enxerga justiça.

Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (17), 47% dos brasileiros acreditam que Bolsonaro foi vítima de perseguição política no julgamento conduzido pelo Supremo Tribunal Federal. Outros 49% afirmam que a pena foi exagerada, enquanto apenas 35% consideram a sentença adequada.

O dado mais incômodo para a narrativa oficial é que mesmo entre os que acreditam na tese da “tentativa de golpe”, há forte percepção de que o processo foi conduzido de forma desigual. Para os críticos, o julgamento foi marcado por um tom político muito mais do que jurídico, deixando a impressão de que se condenou não apenas um homem, mas uma parte expressiva do eleitorado brasileiro.

Quando perguntados se houve, de fato, tentativa de golpe, 55% dos entrevistados disseram que sim, contra 38% que discordam. Já sobre a participação direta de Bolsonaro no suposto plano, 54% acreditam que ele teve envolvimento, mas 34% negam essa versão. A divisão, como se vê, é quase um espelho da polarização que se instalou no país desde 2018.

O resultado revela algo que o establishment político e jurídico não pode ignorar: há um sentimento de injustiça e perseguição que continua alimentando a narrativa de Bolsonaro e de seus aliados. Mesmo condenado e em prisão domiciliar, o ex-presidente segue mobilizando corações e mentes, transformando sua dor em capital político.

A pesquisa mostra ainda que 12% dos brasileiros acham a pena insuficiente, demonstrando que, do outro lado da trincheira, há também sede de punição. Ou seja, Bolsonaro continua sendo o epicentro de um Brasil rachado, onde justiça e política se confundem em doses quase indissociáveis.

Se o Supremo acreditou que uma condenação exemplar poderia encerrar o ciclo bolsonarista, os números sugerem o contrário: a decisão pode ter fornecido combustível extra para manter viva a chama da polarização que divide o país.

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