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Polícia ESQUEMA DE MULTAS

Dr. Pessoa é indiciado pela PC em esquema criminoso na Strans

Operação Reset revelou que mais de 2.400 multas foram canceladas ilegalmente, causando prejuízos superiores a R$ 500 mil aos cofres públicos

15/09/2025 às 10h46 Atualizada em 15/09/2025 às 12h03
Por: Douglas Ferreira
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Dr. Pessoa indiciado pela Polícia Civil - Foto: Reprodução
Dr. Pessoa indiciado pela Polícia Civil - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Piauí, por meio do Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR), indiciou o ex-prefeito de Teresina, Dr. José Pessoa Leal, pelos crimes de associação criminosa e inserção/exclusão indevida de dados em sistemas de informação.

A investigação, que culminou na Operação Reset (23 de julho de 2025), apurou o cancelamento ilegal de 2.419 multas de trânsito na Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans), entre fevereiro e junho de 2024.

Segundo o relatório, Dr. Pessoa teria atuado de forma indireta, utilizando sua influência política. Seu sobrinho, Bruno Migliano Pessoa, então superintendente da Strans, foi apontado como quem executava a estratégia de cancelamento, sempre com anuência do ex-prefeito. O servidor Lucas da Rocha Lima, nomeado por indicação pessoal de Dr. Pessoa, foi colocado em posição estratégica e sozinho anulou 1.628 multas, representando 73% do valor total dos cancelamentos.

Também foram indiciados:

  • Bruno Migliano Pessoa (sobrinho do ex-prefeito e ex-superintendente da Strans);

  • Daniel Lima Araújo (servidor efetivo da Strans e ex-gerente de fiscalização de trânsito);

  • Lucas da Rocha Lima (gerente de Gestão de Trânsito, responsável por 73% das exclusões);

  • Lídia Maria Felix Carvalho da Costa (servidora terceirizada, 254 exclusões);

  • Witalo de Sousa Santos (servidor terceirizado, 333 exclusões).

As investigações apontam que os servidores de menor escalão (Lídia e Witalo) agiam sob ordens de Lucas da Rocha, que, por sua vez, respondia a Bruno Pessoa e a Daniel Lima. Estes dois também foram beneficiados pelo esquema, tendo multas próprias ou de familiares apagadas ilegalmente.

O esquema causou prejuízo superior a R$ 503 mil aos cofres públicos e apagou mais de 12 mil pontos de carteiras de motoristas infratores, incluindo a de autoridades. Para a Polícia Civil, o ex-prefeito Dr. Pessoa, embora negue envolvimento, era a autoridade que deu respaldo político e ordenou que seu sobrinho e aliados operassem o esquema dentro da Strans.

O relatório final entregue ao Judiciário afirma haver “demonstração da autoria direta das condutas delitivas” e comprovação da materialidade dos crimes.

Dr. Pessoa não foi localizado por nossa equipe de reportagem para apresentar sua versão dos fatos. Desde já o Gazeta Hora1 assegura espaço para que o ex-prefeito possa comentar o seu indiciamento.

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