
A corrupção no Brasil tem uma característica perversa: sempre parece superar seus próprios limites. No caso do INSS, a sangria é de proporções superlativas. Segundo a Polícia Federal, mais de 6 milhões de aposentados e pensionistas foram lesados em fraudes que chegam a R$ 6,3 bilhões — dinheiro desviado de quem mais precisa: os idosos que trabalharam a vida inteira.
Um dos operadores do esquema é Antônio Carlos Camilo, o “Careca do INSS”, preso na Operação Sem Desconto. Em pouco mais de quatro meses, ele movimentou cerca de R$ 130 milhões. O modus operandi era sofisticado: pagamento de propina a servidores para obter dados pessoais de pensionistas, repassados a associações que, por sua vez, realizavam cadastros indevidos e desviavam recursos.
A investigação atingiu também o alto escalão. Diretores do INSS, lobistas, empresários e até nomes próximos ao presidente Lula da Silva, como seu irmão José Ferreira da Silva, o Frei Chico, vice-presidente de um sindicato apontado como parte da engrenagem criminosa, surgem nas investigações. O então ministro da Previdência, Carlos Lupi, é citado por ter dado anuência a práticas irregulares.
Além do “careca”, o empresário Maurício Camisotti foi preso, e o advogado Nelson Wilians teve obras de arte e bens de luxo apreendidos. Carros esportivos, armas de grosso calibre e quadros valiosos escancaram como o dinheiro do povo foi transformado em símbolos de ostentação criminosa.
O caso levanta uma pergunta inevitável: como um esquema bilionário, em funcionamento desde 2019, conseguiu operar de dentro do INSS sem que houvesse bloqueios, auditorias ou ações preventivas? A resposta, como sempre, parece estar na conivência política e institucional.
Enquanto milhões de aposentados sofrem com benefícios minguados e filas intermináveis, os operadores do esquema viviam no luxo — um retrato cruel do Brasil sob o governo Lula 3, onde a corrupção, mais uma vez, prova ser estrutural e superlativa.
Detalhe: o “Careca do INSS” foi preso depois que a Polícia Federal levantou suspeitas de que ele estaria intimidando testemunhas, ocultando patrimônio em um estacionamento de shopping em Brasília e ainda planejando uma rota de fuga para os Estados Unidos. A detenção foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira, e confirmada no sábado, após audiência de custódia.
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