
Todo cuidado é pouco quando se trata de energia elétrica. Mas, infelizmente, o Brasil ainda insiste em conviver com tragédias anunciadas. A morte do empresário e produtor de eventos Darlan Ribeiro, neste sábado (13), em Caracol, no Sul do Piauí, é mais uma prova de que segurança segue sendo a parte negligenciada dos grandes espetáculos.
Segundo relatos, Darlan ajudava na montagem da parte elétrica de um palco quando sofreu uma descarga elétrica fatal. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu a caminho do hospital. Tinha apenas 30 anos e deixa uma filha de dois anos, Maria Flor.
A tragédia abre espaço para perguntas que não podem ser ignoradas: o que deu errado? Como um empresário experiente, à frente de portais e produtoras conhecidas no Piauí, pôde perder a vida em uma tarefa que deveria ter protocolos rígidos de segurança?
Especialistas lembram que choques elétricos em montagens de palco não são acidentes “inesperados”. São riscos previsíveis e, portanto, evitáveis. Basta o descuido de uma instalação, a falta de aterramento, o improviso na fiação ou a ausência de equipamentos de proteção individual para que a vida de um trabalhador — ou mesmo de um empresário — seja colocada em xeque.
O caso de Darlan expõe a fragilidade estrutural de um setor que movimenta milhões, mas ainda trata a segurança como detalhe. No Brasil, quantos eventos contam, de fato, com engenheiros elétricos acompanhando as instalações? Quantas vezes a pressa para entregar um palco fala mais alto do que as normas técnicas?
Trata-se de uma questão que vai além da fatalidade pessoal. É uma ferida social. Famílias são destruídas, filhos ficam órfãos e cidades perdem lideranças locais porque o básico não foi garantido: o direito à vida.
O mais trágico, porém, é que histórias como a de Darlan não são exceção. Profissionais experientes, técnicos, eletricistas e trabalhadores do entretenimento seguem expostos diariamente ao mesmo risco. A cada tragédia, lamenta-se, chora-se, mas pouco se muda na prática.
É preciso transformar choque em alerta. Regras rígidas, fiscalização séria, treinamento contínuo e o fim do improviso precisam deixar de ser promessas e virar realidade. A vida de quem monta a festa deve ter tanto valor quanto a festa em si.
A morte de Darlan Ribeiro não pode ser tratada como mais uma estatística. Deve ser encarada como um divisor de águas: ou aprendemos com ela, ou condenamos outros a repetir o mesmo destino.
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