
O cinema brasileiro volta a ocupar espaço no debate internacional com o longa "Manas", da diretora Marianna Brennand, que denuncia os abusos sexuais sofridos por meninas na Ilha do Marajó, no Pará. O filme, protagonizado por Dira Paes, conquistou não apenas a crítica em Cannes, mas também o engajamento de nomes de peso em Hollywood e no mercado internacional.
O ator Sean Penn, duas vezes vencedor do Oscar, assistiu à obra após ouvir o discurso de Marianna no Festival de Cannes e, profundamente impactado, decidiu tornar-se produtor executivo do longa, ao lado de Walter Salles e dos irmãos Dardenne. Agora, o astro organiza sessões exclusivas em Los Angeles para membros da Academia e profissionais da indústria, aumentando as chances de o filme ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
A adesão de Penn não é apenas simbólica: representa o reconhecimento de que o cinema pode ser ferramenta de denúncia e transformação social. Ao expor uma realidade dura e frequentemente invisibilizada, “Manas” conecta o local ao universal, despertando indignação e empatia muito além das fronteiras brasileiras.
Além de Hollywood, o filme também recebeu apoio de François-Henri Pinault, presidente do grupo Kering (que controla marcas como Gucci, Balenciaga e Saint Laurent), que elogiou a “força poética” da narrativa e a relevância do tema para o debate contemporâneo sobre os direitos das mulheres.
A presença de Marianna, filha do ex-senador Heráclito Fortes, que cresceu entre Recife e Teresina, mostra que o talento nordestino pode transpor fronteiras e dialogar com as maiores plateias do mundo. “Manas” não é apenas cinema — é denúncia, poesia e resistência.
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