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Alandilson Passos: mesmo preso, continua comandando o Bonde dos 40

Alandilson Passos segue dando ordens à facção de dentro da cadeia em Minas Gerais, enquanto operação da DENARC prende empresários e desmantela esquema milionário de lavagem de dinheiro

09/09/2025 às 12h21
Por: Redação GH1
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Alandilson Passos comandando o B40 em Teresina direto de presídio em Contagem/MG - Foto: Reprodução
Alandilson Passos comandando o B40 em Teresina direto de presídio em Contagem/MG - Foto: Reprodução

O narcotráfico no Piauí parece não conhecer limites. Mesmo encarcerado em Minas Gerais, Alandilson Cardoso Passos, apontado como líder e operador financeiro da facção Bonde dos 40 (B40), continuava dando ordens à organização criminosa em Teresina. A descoberta revela a complexidade e a sofisticação do esquema, que mistura tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

A Operação DENARC 68, deflagrada na manhã desta terça-feira (9) pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC) em conjunto com a Polícia Militar, cumpriu 42 mandados judiciais em Teresina. Entre os presos está o empresário Deivison José, conhecido como “Deivison Estourado”, detido em um condomínio de luxo e suspeito de lavar dinheiro para a facção.

Outros alvos da operação incluem Alandilson Passos, namorado da vereadora Tatiana Medeiros, e Léo Gordin, fundador do B40 e atualmente detido no sistema prisional do Ceará. A ação teve como foco principal desmantelar a estrutura financeira da facção, desde os pequenos vendedores de drogas até os líderes e intermediários que movimentam milhões de reais.

Segundo o delegado Samuel Silveira, mesmo preso, Alandilson mantinha comunicação constante com membros da organização. “Os indícios de prova mostram que ele continuava participando do dia a dia da facção, coordenando ações e dando ordens”, afirmou. A investigação revela a dificuldade das autoridades em conter líderes que operam à distância com sofisticados meios de comunicação.

Apesar da proximidade com a vereadora Tatiana Medeiros, a polícia não encontrou indícios de que ela participasse das ações criminosas atuais da facção. No entanto, registros de conversas e chamadas de vídeo anteriores mostram que houve comunicação entre os dois enquanto ambos estavam detidos, além de tentativas de envio de itens para o sistema prisional.

O traficante em vídeo chamada com a namorada Tatiana Medeiros enquanto ela estava presa no QCG da PM - Foto: Reprodução

A investigação detalhou que Alandilson, como segundo na hierarquia do B40, era responsável por um esquema milionário de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, movimentando mais de R$ 2,1 bilhões. A complexidade do caso exige o monitoramento contínuo de operações financeiras e logísticas, mostrando que a prisão física nem sempre é suficiente para desarticular organizações criminosas.

O empresário Deivison José também é alvo de mandado de prisão preventiva, acusado de usar sua empresa para lavagem de capitais e de envolvimento em planejamento de homicídio que acabou não se concretizando. A ação ainda resultou na apreensão de aparelhos celulares, incluindo sete na casa da mãe de Alandilson, que serão instrumentos fundamentais para aprofundar a investigação.

Com mais de mil páginas de inquérito policial, a Operação DENARC 68 reforça a amplitude e a gravidade da atuação do Bonde dos 40. A prisão de líderes históricos e a investigação da estrutura financeira são essenciais para tentar frear o domínio da facção, mas o caso evidencia que, mesmo de dentro de uma cela a mais de 1.600 km de distância, criminosos conseguem manter operações e desafiar a segurança pública do Piauí.

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