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ROMBO NO INSS: “CGU foi omissa”, diz relator da CPMI, Alfredo Gaspar

A CGU, que deveria proteger o patrimônio público, demorou cinco anos para agir contra o esquema bilionário no INSS, permitindo que aposentados e viúvas fossem saqueados sem piedade

06/09/2025 às 13h36 Atualizada em 06/09/2025 às 20h56
Por: Douglas Ferreira
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Deputado Alfredo Gaspar (União/AL), relator da CPMI do INSS - Foto: Geraldo Magela
Deputado Alfredo Gaspar (União/AL), relator da CPMI do INSS - Foto: Geraldo Magela

CGU: quando a omissão custa bilhões e arranca a dignidade dos mais frágeis

A Controladoria-Geral da União (CGU) existe para defender o patrimônio público, auditar, fiscalizar, corrigir desvios, prevenir a corrupção e garantir a transparência. Em resumo: sua função é fazer o “feijão com arroz” da integridade governamental. Mas quando se trata do escândalo de fraudes contra aposentados e pensionistas no INSS, a CGU falhou — e falhou feio.

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União/AL), não economizou palavras: a CGU sabia da roubalheira desde 2019. Sabia que os descontos não autorizados já somavam R$ 604 milhões. Mas preferiu cruzar os braços e só agir em 2024, quando o rombo já havia saltado para inacreditáveis R$ 2,6 bilhões. E não é apenas dinheiro. Estamos falando de aposentados, viúvas, idosos doentes e fragilizados — a parte mais vulnerável da população brasileira.

Cinco anos de inércia. Cinco anos de silêncio cúmplice. Cinco anos em que a CGU, sustentada por recursos do contribuinte, fechou os olhos enquanto o INSS formava um consórcio corrupto com sindicatos, associações e “entidades de fachada” ligadas a partidos como PT e PDT. Se a CGU tivesse cumprido seu papel básico, essa falcatrua jamais teria alcançado tamanha proporção.

O escândalo é brutal por sua essência: o Estado, através de sua própria máquina de fiscalização, foi leniente diante de um esquema que subtraiu bilhões de quem menos tinha. O órgão que deveria agir como guardião do erário público virou espectador de um roubo sistêmico. E, pior, só se moveu quando a pressão política e midiática já tornava impossível continuar fingindo que nada acontecia.

O caso expõe um paradoxo cruel: quem vigia o vigilante? Se a CGU, com toda sua estrutura, orçamento milionário e poder institucional, não cumpre sua função primordial, como esperar que o cidadão comum confie nas instituições de controle? O deputado Alfredo Gaspar foi certeiro: “Passamos mais de duas décadas pagando a CGU para fiscalizar o INSS. Para isso?”

O papel da Controladoria é claro: prevenir e combater a corrupção, proteger o patrimônio público, corrigir irregularidades e dar respostas rápidas à sociedade. Mas quando se trata de aposentados, a CGU foi lenta, burocrática e, para muitos, conivente. A falha não é apenas técnica; é moral.

O que se espera de agora em diante? Que a CPMI pressione até as últimas consequências. Que os responsáveis pela omissão sejam investigados. Que se apure, sem maquiagem, se houve negligência ou conveniência política para não enfrentar sindicatos e entidades bem articuladas junto ao poder.

O Brasil não pode aceitar que órgãos de controle virem instrumentos de retórica enquanto bilhões evaporam do bolso dos mais pobres. Não é exagero dizer: quando a CGU falha, não é apenas dinheiro que se perde. É a confiança no Estado, é a dignidade dos aposentados, é a esperança de justiça.

A pergunta que fica é direta e dolorosa: quem roubou mais? As entidades criminosas que sugaram o INSS ou a CGU, que roubou da sociedade o direito de ser protegida?

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