
Quase metade dos brasileiros continua sem computador em casa, e o preço elevado é apontado como o principal obstáculo. É o que revela a Pesquisa de Conectividade Significativa, divulgada pela Anatel em parceria com o Idec e a União Internacional de Telecomunicações. Segundo o levantamento, 47,3% dos entrevistados que não possuem computadores — incluindo desktops, notebooks e tablets — afirmam que os valores são altos demais. Outros fatores também aparecem: 19,2% dizem não ter interesse e 9,8% citam falta de conhecimento para usar os equipamentos.
Entre os lares que possuem ao menos um dispositivo, os notebooks são os mais comuns, presentes em 44% das residências. Os computadores de mesa aparecem em apenas 14%, e os tablets, em 11%. A pesquisa mostra ainda que 30% dos entrevistados têm mais de um tipo de computador. Apesar disso, em todas as faixas de renda, a percepção é clara: computadores são mais adequados que celulares para tarefas como acessar serviços públicos, bancos e fazer compras online.
A ausência de computadores reforça o papel do celular como principal — e muitas vezes único — meio de acesso à internet. O problema é que planos de dados limitados penalizam especialmente as famílias de baixa renda. Entre os que ganham até um salário mínimo, 35% ficaram sem internet móvel ao menos um dia no último mês, e 11,6% permaneceram desconectados por mais de 15 dias. Isso afetou diretamente atividades essenciais: 63,8% deixaram de realizar operações bancárias e 56,5% não conseguiram acessar serviços do governo.
A pesquisa também revela um contraste: embora a nota média de satisfação com as próprias habilidades digitais seja alta (8,2), especialistas apontam que a confiança pode não refletir a realidade do letramento digital no país. Além disso, a publicidade online excessiva consome parte das franquias, acelerando a perda de conectividade. No geral, os brasileiros atribuíram nota 7,8 à conectividade nacional — um índice que mostra avanço, mas que ainda convive com barreiras estruturais de acesso e desigualdade.
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