
O assassinato de Wuyllame de Sousa Santos, de 16 anos, conhecido como “Mirim”, escancara uma dura realidade da periferia de Teresina: jovens que crescem à sombra da violência e muitas vezes se tornam alvo dela. O adolescente foi executado a tiros na tarde desta terça-feira (2), dentro da própria casa, no bairro Parque Ideal, zona Sudeste da capital. Quatro homens armados invadiram o imóvel e disparam cerca de 20 vezes contra ele.
Mas quem era Mirim? O histórico do jovem é marcado por sucessivas passagens pela polícia. Somente no ano passado, ele foi apreendido oito vezes por roubos, além de responder por uma ameaça a um policial militar. Seu nome já era conhecido nos registros da segurança pública. Pouco antes da execução, ele havia retornado de uma audiência. O que chama atenção é o padrão da ação criminosa: homens em duas motos, tiros múltiplos e uma execução planejada, típica de acertos de contas no submundo do crime.
O crime levanta perguntas inevitáveis: quem puxou o gatilho? A mando de quem? E por quê? A forma como tudo aconteceu indica que não foi um ato impensado, mas sim uma sentença de morte. O modus operandi reforça a hipótese de vingança ou de retaliação dentro de facções criminosas que disputam território em Teresina. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) já conduz as investigações, mas a execução de um adolescente em plena luz do dia revela mais do que um homicídio: expõe a falência de políticas de prevenção, a fragilidade da ressocialização e o ciclo vicioso em que adolescentes entram cedo no crime e saem apenas de uma forma — mortos ou presos.
No fim, a morte de Mirim não é apenas a história de um garoto envolvido em delitos, mas também o retrato de uma capital refém da violência, onde a execução substitui o julgamento e onde a juventude pobre continua sendo a principal moeda de troca da criminalidade organizada.
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