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Lucro da BYD despenca e guerra de preços acende alerta no mercado de elétricos

Fabricante chinesa enfrenta queda de 30% no lucro, ações em baixa e desafios com concorrência acirrada na China

02/09/2025 às 17h57 Atualizada em 03/09/2025 às 11h32
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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A BYD, gigante chinesa dos carros elétricos que ultrapassou a Tesla neste ano e assumiu a liderança global no setor, viu seu desempenho enfraquecer no segundo trimestre de 2025. O lucro líquido da companhia caiu 30% em relação ao ano anterior, para 6,36 bilhões de yuans (cerca de US$ 887 milhões), bem abaixo das estimativas de analistas, que esperavam quase o dobro desse valor. A notícia repercutiu no mercado: as ações da montadora chegaram a recuar 8% na Bolsa de Hong Kong, encerrando o pregão com queda de 5,24%.

O resultado negativo expôs um problema já conhecido no setor: a guerra de preços entre fabricantes de veículos elétricos na China. Nos últimos dois anos, o valor médio dos carros vendidos caiu cerca de 19%, segundo o Nomura Research Institute, fruto de descontos agressivos e campanhas de marketing cada vez mais intensas. Em maio, autoridades chinesas chegaram a advertir montadoras contra práticas de preços ultrabaixos, que chegam a ser inferiores ao custo de produção, e ameaçaram aplicar punições.

Apesar da pressão sobre a rentabilidade, a BYD ainda mostrou crescimento de receita. No segundo trimestre, o faturamento subiu 14%, alcançando 201 bilhões de yuans, impulsionado principalmente pela expansão internacional. No acumulado do semestre, o lucro líquido somou 15,5 bilhões de yuans, alta de 14%, enquanto a receita cresceu 23%, para 371,3 bilhões de yuans. A estratégia da empresa tem sido diversificar mercados, com a abertura de showrooms na Europa e o lançamento de modelos competitivos, que já renderam mais de 13 mil emplacamentos em julho no continente — avanço de 225% frente a 2024.

Ainda assim, analistas veem o cenário com cautela. Para o banco Jefferies, o modelo de negócios da BYD, baseado em cortes agressivos de custos e escala de produção, perdeu fôlego diante da regulação chinesa e da concorrência extrema. O chamado “trem da alegria” da montadora pode estar chegando ao fim, ao menos temporariamente, até que a empresa consiga recuperar margens e estabilizar sua estratégia frente ao mercado doméstico e global.

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