
As sucessivas apreensões de mercadorias piratas e contrabandeadas em território piauiense reforçam uma tese cada vez mais difícil de ser contestada: o Piauí tem se tornado um verdadeiro paraíso para a pirataria e o contrabando. O caso mais recente veio de Parnaíba, no litoral do Estado, onde a Receita Federal apreendeu 520 sacos de ráfia cheios de produtos falsificados, contrabandeados ou introduzidos no país sem o pagamento de impostos.
A operação, realizada na quinta (28) e sexta-feira (29), fiscalizou 14 estabelecimentos comerciais previamente selecionados com base em investigações e denúncias de escritórios de advocacia que representam marcas lesadas.
A lista impressiona: celulares, smartphones, videogames, calçados, roupas, bolsas, mochilas, brinquedos, caixas de som, fones de ouvido, carregadores e acessórios para celular. Muitos dos eletrônicos apresentavam risco de curto-circuito e incêndio, segundo a Receita, devido à baixa qualidade do material.
As mercadorias, sem certificação da Anatel e sem o selo do Inmetro, teriam origem internacional e entraram ilegalmente no Brasil. O destino imediato era o comércio local em Parnaíba, mas, pela quantidade, especialistas não descartam que o material fosse redistribuído para outras cidades do Piauí e até estados vizinhos.
Apesar da dimensão da operação, nenhum grande comerciante foi preso. As mercadorias foram apreendidas e levadas para um depósito da Polícia Rodoviária Federal, que apoiou a ação logisticamente. Agora, os donos dos estabelecimentos autuados responderão a processos administrativos e judiciais. A Receita informa que em casos assim, os bens são apreendidos, perdem valor legal e podem ser destruídos ou destinados a doação, dependendo da avaliação de risco.
Em nota, a corporação foi taxativa:
“Produtos falsificados acarretam grandes prejuízos aos empresários, gerando desequilíbrios em seus ambientes de negócios devido à concorrência desleal”.
Mais do que uma ação pontual, a megaoperação de Parnaíba lança luz sobre um problema estrutural: o avanço do contrabando e da pirataria no Estado, fenômeno que movimenta milhões, ameaça empregos formais e mina a arrecadação de impostos. Enquanto não houver punição exemplar e desarticulação das cadeias criminosas, o Piauí seguirá como rota atrativa para o crime econômico.
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