
Nada — absolutamente nada — justifica o feminicídio da comandante da Guarda Civil de Parnaíba, Penélope Brito, nem o assassinato brutal e covarde do vereador Thiciano Ribeiro. Nenhum sofrimento, nenhuma dor, nenhuma frustração. Porém, na tentativa de justificar o injustificável, surge a narrativa da família do assassino confesso, o guarda municipal Francisco Fernando.
A irmã, Francisca Flávia, relatou à polícia que o irmão sofria de depressão desde a separação. Que ele perdeu 15 quilos, não se alimentava direito e carregava consigo o peso do ciúme e da rejeição. Segundo ela, Fernando teria “certeza da traição” da ex-companheira após encontrar indícios em um pagamento feito por Penélope em uma churrascaria. Relato que, por si só, não explica nem ameniza o crime.
Mas ficam perguntas que ainda ecoam:
Como Francisco soube do itinerário de Penélope e Thiciano em Teresina?
A ida ao hospital foi acompanhada ou monitorada?
Ele viajou de Parnaíba já armado e com intenção homicida?
Por que carregava tantas armas?
Esses pontos levantam a suspeita de premeditação, e não apenas um surto depressivo.
Às 9h09 da manhã, minutos após o crime, Francisco ligou para a irmã Francisca Flávia:
“Acabei com a minha vida, cuida da família, da minha mãe e do meu filho. Matei o amante da Penélope e dei um tiro nela. Não sei se ela está viva. Não queria matar ela”.
Ele também disse que ele pensava em tirar a própria vida, mas foi convencido a se entregar. Três horas depois, foi preso e confessou o crime.
O ataque aconteceu em plena luz do dia, em frente a um hospital de Teresina. Câmeras registraram cada movimento: Francisco se aproximou, atirou contra Thiciano — que caiu sem chances de defesa — e depois disparou contra Penélope, matando-a ali mesmo. Uma execução covarde, traiçoeira, planejada ou não, mas que deixou duas crianças órfãs e três famílias destruídas.
Nesta quinta (28), a Justiça converteu a prisão em preventiva. Francisco, que antes se apresentava como vítima do abandono, agora será julgado como algoz da tragédia.
A polícia agiu rápido. O processo seguirá seu curso. Mas a pergunta que fica para a sociedade é: até quando aceitaremos que a narrativa da dor masculina seja usada para explicar — ou suavizar — feminicídios?
Porque, no fim, não foi a depressão que matou Penélope e Thiciano.
Foi o machismo armado.
ARENA DAS DUNAS Evento de Janja termina com deputada do PT ferida e expõe contradição no discurso da esquerda
FEMINICÍDIO Mulher é encontrada sem vida com faca cravada no rosto; caso choca Teresina
VOX BRASIL “PTMaster” amplia desgaste, pressiona pré-campanha de Lula cai na pesquisa Mín. 23° Máx. 33°