
Os pais da pequena Alice Brasil, de apenas 4 anos, morta após ser atingida por uma penteadeira dentro do Colégio CEV em Teresina no último dia 5 de agosto, prestaram depoimento nesta sexta-feira (22) na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A tragédia, que poderia ter sido evitada com medidas simples de segurança, expõe falhas graves da instituição e a morosidade das investigações.
Segundo a advogada da família, Ariele Pacífico, só após insistência junto ao Ministério Público é que os pais foram chamados a depor. Um detalhe que reforça a sensação de descaso.
“Se não tivéssemos provocado, talvez ainda não tivéssemos sido ouvidos. Os pais precisavam trazer o que vivenciaram e o que sabem sobre a morte da filha. Não apenas eles, como outras pessoas que continuam sem ser ouvidas”, disse.
Emocionada, a mãe de Alice, Dayane Brasil, falou da dor de reviver o momento mais cruel de sua vida:
“Nossa dor não vai acabar. Mas prestar depoimento nos dá alguma segurança de que a investigação vai avançar. É doloroso, mas necessário. Não podemos nos calar diante da morte da nossa filha”.
Horas antes da tragédia, Alice havia participado de uma festa na escola. A mãe contou que chegou a prometer buscá-la mais cedo naquele dia, mas logo depois recebeu ligações confusas de funcionários, que demoraram a informar o real estado da criança.
“Cheguei a ir até a escola, mas disseram que minha filha não estava lá. Fui de um lado para outro até descobrir, por uma professora, onde a ambulância estava. Mesmo assim, as informações eram desencontradas, como se houvesse uma tentativa de esconder a gravidade do ocorrido”, relatou.
A defesa da família, que já teve acesso às imagens, contesta a tese de acidente. Para a advogada, a perícia mostrou que a mobília era um risco evidente:
“O perito, horas depois, conseguiu balançar a penteadeira com um simples toque. A escola manteve um móvel pesado, instável, sem fixação, dentro de uma sala de crianças pequenas. Isso não é fatalidade, é negligência. É assumir o risco de morte”.
Para os pais, não há como falar em acidente.
“Não foi uma fatalidade. Foi negligência. Nossa filha não volta mais, mas exigimos que os responsáveis sejam punidos. Não é vingança, é justiça. Queremos que nenhuma outra família precise passar por essa dor por falta de cuidado”, disse o pai, Cláudio Souza.
A tragédia de Alice reacende um alerta: quantas escolas realmente cumprem normas mínimas de segurança? Quantas tragédias ainda precisarão acontecer para que instituições de ensino sejam fiscalizadas de forma rigorosa?
O caso agora depende da firmeza da Polícia Civil e do Ministério Público do Piauí para provar se houve crime de responsabilidade. Se confirmado, não pode haver espaço para impunidade.
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