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Advogados sob suspeita: quando a toga vira alvo de intimidação no Piauí

Polícia Civil revela que Flávio Almeida Martins e Henrique Martins Costa Silva usavam denúncias falsas e dossiês montados para pressionar juízes e até coagir um desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí

21/08/2025 às 16h36 Atualizada em 21/08/2025 às 17h30
Por: Douglas Ferreira
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Delegado Tales Gomes dá detalhes sobre a coação sofrida pelos juízes - Foto: Reprodução
Delegado Tales Gomes dá detalhes sobre a coação sofrida pelos juízes - Foto: Reprodução

A advocacia, que deveria ser sinônimo de defesa da justiça e da legalidade, se vê no centro de um escândalo que abala a credibilidade do Judiciário piauiense. Os advogados Flávio Almeida Martins e Henrique Martins Costa Silva foram alvos de operação da Polícia Civil do Piauí, acusados de um esquema ousado e perigoso: elaborar denúncias falsas, falsificar dossiês e utilizá-los como instrumentos de coação contra magistrados do Tribunal de Justiça.

De acordo com o delegado Tales Gomes, diretor da Diretoria Especializada de Operações Policiais (DEOP), os dois atuavam de forma articulada. Criavam representações infundadas contra juízes e desembargadores no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de espalharem dossiês com acusações graves, mas sem provas, para constranger magistrados. O método era direto e intimidador: um dos advogados chegou a entregar pessoalmente a um desembargador um desses supostos dossiês, às vésperas do julgamento de uma apelação em que ele próprio figurava como parte. O magistrado relatou ter se sentido coagido e levou o material à polícia.

Advogado Flácio Almeida Martins, inverstigado pela PC/PI - Foto: Reprodução

As investigações apontam ainda que trechos desses dossiês eram compartilhados em grupos de WhatsApp com advogados e jornalistas de Teresina, ampliando a pressão pública e tentando criar um clima de desconfiança contra os membros do Judiciário. Um juiz e uma juíza também foram alvo dessas falsas acusações, mas uma das denunciantes acabou voltando atrás, pedindo retratação formal no CNJ — o que reforçou a suspeita de denunciação caluniosa.

Advogado Henrique Martins da Cosa Silva também investigado - Foto: Reprodução

Durante a operação, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em residências e escritórios dos advogados, localizados no bairro Jóquei, zona leste de Teresina. Foram recolhidos computadores, celulares e documentos, que agora serão periciados para comprovar o alcance e a gravidade das práticas ilícitas.

Segundo o delegado Tales Gomes, os advogados estão sendo investigados pelos crimes de denunciação caluniosa, calúnia qualificada e coação no curso do processo.

Escritório dos acusados na zona Leste da capital - Foto: Reprodução

“O desembargador afirmou ter se sentido coagido ao receber o dossiê às vésperas de um julgamento. Esse episódio, somado às demais denúncias e pressões, configura claramente uma tentativa de influenciar decisões judiciais por meios ilegais”, destacou.

O caso escancara uma ferida que o Piauí preferia não expor: a tentativa de transformar o Judiciário em palco de chantagem e manipulação, abalando a confiança na justiça e comprometendo o papel da advocacia como instrumento essencial à democracia.

O investigadores dentro do escritório dos causídios acusados - Foto: Reprodução

Nossa reportagem procurou contato com os denunciados porém não conseguiu contato. Entretanta deixa claro que desde já estão assegurado espaço para ambos se manifestem para esclarecer os fatos.

A polícia apreendeu documentos, comuputadores e celulares no escritório dos acusados - Foto: Reprodução

 

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