
A disseminação de células de facções criminosas em Teresina cresce em velocidade assustadora. O narcotráfico já domina boa parte da periferia e se mantém em expansão, mesmo diante de operações policiais que, quase diariamente, apreendem drogas, armas e prendem faccionados. A cada baixa sofrida, uma nova liderança surge, num ciclo que parece interminável.
Nesta segunda-feira (18), o Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) prendeu Marcelo Pernetta, apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), com longa ficha criminal, e sua companheira, a blogueira Maria Clara Sousa, já investigada anteriormente por envolvimento em um brutal esquartejamento em 2024, na Vila da Guia.
O casal foi capturado na Prainha, zona Sul de Teresina, em cumprimento a mandado de prisão. Durante a ação, policiais encontraram drogas e uma arma de fogo, o que levou à prisão em flagrante de Maria Clara.
Segundo a polícia, semanas atrás, Pernetta chegou a trocar tiros com o 8º Batalhão da PM, em uma ocorrência onde foram apreendidas drogas enterradas em sua casa. O delegado Samuel Silveira, coordenador do Denarc, destacou que o preso já respondia por roubo qualificado, organização criminosa e tráfico de drogas.
Maria Clara, que soma cerca de 6 mil seguidores no Instagram, já havia sido apontada como suspeita de participação no assassinato e esquartejamento de Silvana Rodrigues, em junho de 2024. Contudo, a Justiça decidiu não pronunciá-la por falta de indícios suficientes. Agora, volta a ser alvo de investigação, reforçando sua ligação com o crime organizado.
O episódio levanta uma questão incômoda: por que, mesmo com tantas prisões, apreensões e prejuízos financeiros, o narcotráfico segue inabalável?
Os operadores caem, mas os donos nunca aparecem. A estrutura das facções é montada para que apenas a base sofra as consequências.
O tráfico se reinventa. Quando um líder é preso, outro assume o comando quase de imediato.
O poder econômico cala fundo. O lucro exorbitante das drogas permite corromper, intimidar e manter a engrenagem em funcionamento.
Em resumo, a prisão de faccionados em Teresina não tem sido suficiente para deter o avanço do tráfico. O que se vê é um Estado que corre atrás, mas nunca consegue frear a engrenagem de facções como PCC, Bonde dos 40 e Comando Vermelho.
Enquanto isso, o crime se infiltra na vida cotidiana, alcançando até figuras públicas como blogueiros, artistas e influenciadores, numa perigosa mistura de criminalidade, ostentação e redes sociais.
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