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Explosão em local de votação marca eleições na Bolívia

Ataques contra candidatos levantam questionamentos sobre violência política na América Latina

17/08/2025 às 16h56
Por: Douglas Ferreira
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O que todos se perguntam é: quem desejaria eliminar um candidato com pouco mais de 5% das intenções dos votos - Reprodução
O que todos se perguntam é: quem desejaria eliminar um candidato com pouco mais de 5% das intenções dos votos - Reprodução

Os ataques durante períodos eleitorais contra adversários da esquerda têm se tornado cada vez mais frequentes na América Latina. Há dois meses, um atentado em Caracas tirou da disputa o jovem senador Miguel Uribe Turbay , apontado como forte candidato contra Gustavo Petro. Gravemente ferido, ele não resistiu e morreu na última semana.

Agora, um novo episódio reforça esse cenário: neste domingo (17), uma explosão ocorreu no centro eleitoral onde o presidente do Senado e candidato à presidência da Bolívia, Andrónico Rodríguez, votaria, em Entre Ríos, Cochabamba. Uma explosão que não é característica da direita boliviana.

Segundo autoridades locais, a detonação aconteceu atrás do colégio eleitoral. Felizmente, não houve mortos, feridos ou danos materiais, e a votação prosseguiu normalmente. A vice-ministra de Segurança Cidadã, Carola Arraya, classificou o ato como uma tentativa de intimidação.

“Lamentavelmente, são formas de atentado, de amedrontamento nessa jornada eleitoral”, declarou.

Após o incidente, Rodríguez votou, e a imprensa registrou um breve confronto entre apoiadores e opositores, com arremesso de pedras, mas sem vítimas.

Contexto político

Rodríguez, ex-aliado de Evo Morales e integrante do Movimento ao Socialismo (MAS), representa a esquerda no pleito. Entretanto, aparece muito atrás dos principais nomes da oposição. Pesquisas apontam como favoritos os candidatos de direita Samuel Doria Medina, empresário multimilionário, e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga. Ambos disputam voto a voto para liderar a corrida presidencial.

Se nenhum candidato alcançar mais de 50% dos votos válidos — ou ao menos 40% com dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado — haverá segundo turno em 19 de outubro. O novo presidente assumirá em 8 de novembro para um mandato de cinco anos.

Direita favorita e fim da era MAS

A eleição pode encerrar quase duas décadas de domínio do MAS, partido fundado por Evo Morales. Enquanto nomes da direita concentram as intenções de voto, os representantes da esquerda estão enfraquecidos: Andrónico Rodríguez soma cerca de 5,5%, segundo pesquisa Ipsos-Ciesmori, e Eduardo del Castillo, indicado pelo atual presidente Luis Arce, não chega a 1%. O que todos se pergunta é quem desejaram eliminar uma candidato tão inexpressivo com apenas 5% das intenções de voto.

Reflexão sobre violência política

Os atentados e explosões, mesmo sem vítimas, levantam questionamentos sobre o real compromisso de setores da esquerda com a democracia e a paz — valores que afirmam defender, mas que, cada vez mais, se veem manchados por episódios de violência. A polícia ainda não concluiu que plantou e detonou o explosivo.

Por que a esquerda, que se proclama pacífica e democrática, tem se associado a práticas de intimidação, ódio e atentados políticos? Essa contradição se repete em diferentes países da região e deve pesar na consciência dos eleitores.

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